Na sala dos trabalhos, com os computadores voltados para as paredes, elas ficam de costas voltadas para mim. Observo-lhes os ombros dependurados nas alças, tão frágeis e lisos. Desejo-lhes os braços finos, à medida de uma fome insaciável. Depois deslizo os sonhos sobre o tronco e paro nas ancas, cinturas descaídas, fio dental à espreita. Quero-lhes as nádegas, as coxas, as pernas escondidas por trás dos trapos, escarpas abissais. Sei que esta vontade tão concreta e física é a metáfora possível de uma outra coisa: uma coisa que só sei quando a campainha nos chama para o intervalo. Metáfora de um intervalo de mim, o desejo acorda. E eu saio.
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