domingo, 28 de maio de 2006

DOIS PEQUENOS LIVROS

É costume ouvir-se dizer que a poesia é a arte (literária) da concisão. Mais ou menos breve, o poema resulta, de facto, da capacidade de condensar o que, noutras condições, seria apenas exprimível com o recurso a formatos narrativos mais extensos. Em termos editoriais, há poetas que optam por coligir os seus poemas em colectâneas mais volumosas. Outros optam pela edição de menor fôlego, com resultados díspares e, por vezes, inquietantes. Manuel de Freitas (n. 1972), por exemplo, tem alternado algumas das suas edições mais avantajadas com outras onde, sob um determinado signo temático, procura abreviar a obra ao que poderia ser entendido como um conjunto, um capítulo, uma parte, de um livro mais abundante. Servem de exemplo títulos como Büchlein Für Johann Sebastian Bach (Maio de 2003), O Coração de Sábado à Noite (Outubro de 2004), Vai e Vem (com ilustrações de Filipe Abranches, Maio de 2005) e, mais recentemente, Cretcheu Futebol Clube (Abril de 2006), todos com o selo da editora Assírio & Alvim. Reproduzindo na capa uma fotografia lindíssima de João Freire Oliveira, Cretcheu Futebol Clube lê-se como um requiem à memória do músico cabo-verdiano Ildo Lobo. Trata-se de um pequeno livro, de uma beleza avassaladora, que mantém as coordenadas fundamentais de uma poesia desde sempre alicerçada no domínio da elegia. Este universo de Manuel de Freitas, onde a música «é a única razão que nos sobra», coloca-nos permanentemente, como nenhuma outra poesia portuguesa actual o logra, na presença da morte, da nossa inevitável finitude e colossal insignificância. Acrescenta-se ao álcool, às referências da deambulação nocturna (B. Leza, Cachupa), aos sítios de passagem (Largo do Conde Barão, Praça do Rossio, Caetano Palha), aos espaços culturais da capital (CCB, Coliseu dos Recreios), aos nomes dos companheiros de guerra (Jorge, Inês, Rui), aos utilitários quotidianos (Taki-Talá, Correio da Manhã), às canções, aos artistas, a utilização de vocábulos e expressões crioulas: manhã ká tem dia, sodade, estrela d’nada, bo dispidida, tchoro, morabeza, daki a nada. O ritmo, é mais de morna do que de funaná: «Abrem-se devagar os túmulos / - e entramos neles. / É o nosso ofício, talvez o único. /Esperámos, anos fartos, o vazio. / Não há engano possível, / não há regresso. Todas / as ilhas devagar nos mentem. // Dançava perto de ti, / talvez demasiado só, uma / estrela d’nada, bo dispidida. // Não me digas que não ouviste» (p. 17). Em formato literário similar (chamemos-lhe plaquete, pequeno livro, folheto, panfleto, tanto faz), este Tríptico do Narciso. Sendo Vítor Vicente (n. 1983) responsável pela editora Canto Escuro, onde já havia publicado em Abril de 2005 o livro Esses Dias – HenryKiller.Blog, trata-se de uma auto-edição. As epígrafes de Teixeira de Pascoaes, a abrir, e Nick Cave, a fechar, permitem-nos pensar num autor para o qual todos os diálogos são legitimados única e exclusivamente por aquilo que é enunciado. No miolo, três pequenos poemas onde o registo narcísico é adulterado por um saudável tom de auto-ironia. Mais autocrítico do que auto-complacente, este narciso «rimbaldiano atracado aos balcões de tascas e bares» é uma remistura de ovelha negra, com patinho feio e gato maltês. A vertente experimental dos três poemas adensa a ideia de um autor empenhado apenas nos «louvores ao escárnio» e «aos maldizentes». Faz muito bem, se dessa apregoada má relação com a civilização puder surgir o que de mais raro vai sendo nas letras portuguesas: o (des)compromisso com um mundo onde o eu resulta frequentemente de conivências pouco credíveis com os outros. Este narciso é o de Stirner, empenhado apenas na sua causa… puramente egoísta: «Eu nó cego de contradições. / Eu com um globo debaixo do braço / a estilhaçá-lo de encontro a uma parede».

quarta-feira, 24 de maio de 2006

DOURO: PIZZICATO E CHULA

Galardoado com o Prémio D. Diniz da Fundação da Casa de Mateus, Douro: Pizzicato e Chula, de A. M. Pires Cabral, foi editado pelos Livros Cotovia. O júri era formado pelos escritores Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e Fernando Pinto do Amaral. Sobre este livro, informa-nos o seu autor: «Este conjunto de poemas é o rescaldo de uma viagem de barco no Douro, entre o Porto e Barca de Alva, em Setembro de 1999, na companhia de um grupo de poetas (...)». Estamos na presença de um retrato que enquadra uma situação, um cenário e seus respectivos actores. A viagem, ficamos a sabê-lo logo no poema inicial – O navio dos loucos -, deverá ser entendida em duas amplitudes diversas, mas nem por isso antagónicas. Por um lado, é uma viagem «ao encontro da última pergunta / que o Douro porventura guarde ainda / por responder (...)» (p. 13); por outro lado, é uma viagem que permitirá aos poetas «fazer a derradeira tentativa / de também se decifrarem a si mesmos» (p. 13). É célebre a imagem do rio que Heraclito de Éfeso empregou para salientar o devir do mundo. Tal como acontecia no filósofo pré-socrático, de resto evocado na obra de Pires Cabral, igualmente aqui o rio é imagem de mudança, símbolo do tempo que passa pelas coisas marcando o real com seus sinais de ruína. O excelente poema intitulado Rio refém dá disso conta. No entanto, o rio, o rio Douro, é também para o poeta um lugar de memórias, recordações, daí que uma certa nostalgia se instale à sua presença: «Sigo no barco que sobe o rio. Porém / não sinto que subo o rio: / sinto, em vez disso, / que o rio me sobe a mim / por aquela escada mal alumiada, / estreita, poucas vezes varrida, / por que se vai ao sótão / para uma birra ou uma nostalgia» (pp. 17/18). «Por este rio acima, / por este homem abaixo» (p. 59), dirá, mais à frente, o poeta, como que evidenciando essa outra dimensão da viagem, menos “convivencial” do que íntima. «Recurso renovável» de beleza, o Douro é essencialmente «um espelho» que nos faz «um pouco mais humanos, / um pouco menos poetas» (p. 28). Pondo-se à margem daquilo a que chama «transes de lirismo», A. M. Pires Cabral insiste numa poesia apegada à vivência das coisas, à experiência, ao empírico. Os poetas, «ratos» que roem «a parte meramente imaterial» (p. 32), são ínfimos nos gestos e na alma quando defronte ao rio, às encostas, às garças, enfim, à natureza. Daí essa necessidade natural de, rodeado de poetas, reduzir-lhes a importância, que é como quem diz: colocá-los no devido lugar. A melancolia que reveste a viagem interior opõe-se, dessa forma, ao tom irónico, por vezes sarcástico, com que trata «os senhores poetas» (p. 37), os «líricos nautas estouvados» (p. 63), seus pares nessa viagem rio acima. Dois ambientes, Pizzicato e Chula, para, no Fim, tentar «devolver / em vinte laudas aproximadamente / a água ao rio, a vinha aos socalcos, / o voo amplo das garças / aos pauis, / o Douro ao Douro» (p. 64).

quarta-feira, 17 de maio de 2006

A ESCRITA CASTA

A Escrita Casta (Triunvirato, Março de 2006) é o segundo livro de poesia de André Sebastião (n. 1980), estreado em Maio de 2004 com A Minha Voz No Teu Nome (Ausência). À época, se bem me lembro, notei em alguns dos poemas desse primeiro livro um erotismo requintado que partia de uma espécie de reconstrução da memória e das imagens que nela habitam. Ao segundo acto, o poeta deixou de lado o erotismo e concentrou-se no ofício da escrita. Os 25 poemas que compõem A Escrita Casta, agrupados em duas partes, podem ser lidos como uma espécie de reflexão poética acerca da linguagem que praticam. Estamos no domínio da introspecção, pautada por um hermetismo cujo desafio maior será decifrar sem qualquer intenção determinística. Numa poesia como esta, quem escreve é o leitor. Ao leitor, tomada a posição de poeta, caberá decifrar o que lê num jogo onde essa decifração se confunde permanentemente com recriação do poema. Nem todos estarão predispostos a aceitar tais regras, exigindo aos versos uma clareza que, em boa verdade, será sempre equívoca. O paradoxo, no caso presente, parece ser este: a ambicionada «escrita casta» resulta da relação impura que a palavra estabelece com os objectos nomeados. E se essa relação da palavra com o objecto é já consequência de um gesto maculador, que dizer da relação do poeta com a palavra? Mácula sobre mácula, o poeta é, digo eu, quem mais desonra o mundo. Não vai tão longe André Sebastião, preferindo reflectir aquilo a que eu chamaria uma mecânica da linguagem onde «cilindros compactam palavras na ignição da cabeça» (p. 13), «o ar se dilata como magnitudes de energia / nas molas da palavra» (p. 15), «há o bocal dócil dos injectores de palavras, caudaloso / à saliência da luz» (p. 19), etc. É nesta movimentação de cilindros, molas, injectores, cremalheiras, utensílios, aparelhos, motores, que surge também a referência a um filme, a um guião, a um estúdio fotográfico, oficina, talvez, dessas palavras castas que alimentam a arte poética. Palavras do olhar? Imagens? Sons? Silêncio? O que é a palavra senão um retrato da coisa que nomeia? Não fosse o poeta, manipulador de palavras, um construtor da realidade ou, se quisermos, um alquimista, no sentido de fingidor e de falsificador, seria, nesta versão, o protector de algo puro e intacto: «o começo das palavras». O que está aqui em causa é a relação do poeta com a sua matéria-prima, as palavras. Neste sentido, não só pelo complexo lexical usado, vêm facilmente à memória os nomes de António Franco Alexandre e Carlos de Oliveira (citados em epígrafe), Herberto Helder e António Ramos Rosa. Sobretudo o deste último, na forma como praticou a palavra poética em livros surgidos já na década de 1980 tais como O Centro na Distância (1981) e Gravitações (1983). Os poemas de André Sebastião, poeta ainda à procura da sua própria voz, arriscam uma complexidade rítmica, com uma pontuação muito própria, que está longe da fluidez desses grandes nomes da poesia portuguesa. Apesar de concisos, não tendo na sua maioria mais que os 14 versos de um soneto, os poemas de A Escrita Casta são de uma leitura tão exigente que por vezes parecem estranhamente longos. No final fica o sentimento não propriamente de uma escrita casta, seja ela qual for, mas antes de uma escrita ainda em estado de incubação.

sábado, 13 de maio de 2006

GAIVOTAS


Se escutares com atenção, poderás ouvir as gaivotas por detrás dos motores, as pequenas ondas do mar calmo, uma folha seca a ser arrastada pelo vento para trás dos prédios em construção. E se olhares acima do que escutas, então verás não apenas o fumo das queimadas espalhadas pelas colinas, mas também o sol que sombreia tudo até ao imo do dia.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

A CIDADE E OS LIVROS

Ir contra a história, como se a história não resultasse de uma evolução alicerçada em oposições várias, modos de ver e perspectivar o mundo diversos, é tão descabido quanto pretender parar a história. No contexto da poesia brasileira, o peso do concretismo, propagado na década de 1950 por nomes como os de Haroldo Campos e Décio Pignatari, foi carregado durante anos por "sincretismos" mais ou menos interessantes. Vejam-se, a título de exemplo, as poesias de um Ferreira Gular ou, mais tarde, de uma Ana Cristina Cesar, onde os ecos da poesia dita experimental ainda são notórios. Sete anos mais velho que Ana Cristina Cesar, Antonio Cicero estreou-se em livro muito mais tarde, na década de 1990, com uma poesia que parece resultar de uma assimilação perfeita de toda a sua tradição. Não se deixando levar pela revoada da «poesia “visceral”, / ou seja, porca, preguiçosa, lerda» (p. 20), este poeta logra não cair na presunção de perpetuar o que teve o seu tempo. Fique certo, então, que todo o legado poético demora a ser assimilado. Nisto, em nada a poesia se distingue da ciência, cuja história se faz num jogo complexo de continuidades e rupturas entre forças resistentes à mudança e outras mais empenhadas na transformação. Estas emergem, muitas vezes, contra o tempo em que habitam. Mas quando penso em assimilação, penso sobretudo nesse vagaroso processo que leva ao aparecimento de coisas novas por via de uma apurada (re)construção do que o passado nos deixou. Ser herdeiro não obrigará tanto a uma continuação do já feito como deverá servir para desbravar o caminho do que ainda possa ser feito. Não se trata de entrar em ruptura ou em reacção, tantas vezes forçada e tantas vezes descabida, contra aquela que é a nossa própria história. Isto porque a história de um poeta é, antes de mais, a história de toda uma prática literária, em sentido amplo, que importa não ignorar. Os poemas coligidos por Antonio Cicero (n. 1945) neste A Cidade e os Livros, lembram-nos também que despropositada é uma poesia refugiada no passado, assim como aquela que procure negar a sua história preocupando-se, única e exclusivamente, em se fazer na suposição de um futuro a ser concretizado. O que Antonio Cicero procura, com a sua depurada poesia, é o essencial de uma reflexibilidade que parte de uma perspectiva crítica sobre a sua situação. Grande parte destes poemas são reconstruções formais do soneto, invocando mitos e dados da cultura helénica, cujo sentido passa por retratar o presente, entendido aqui como situação histórica daquele que escreve o poema: «A história, que vem a ser? / mera lembrança esgarçada / algo entre ser e não-ser: / noite névoa nuvem nada. / Entre as palavras que a gravam / e os desacertos dos homens / tudo o que há no mundo some: / Babilónia Tebas Acra. / Que o mais impecável verso / breve afunda feito o resto / (embora mais lentamente / que o bronze, porque mais leve) / sabe o poeta e não o ignora / ao querê-lo eterno agora» (p. 40). A pontilhar o verso, uma refinada ironia, aqui e acolá algum erotismo, mas, sobretudo, uma subtileza rara que passa por uma estranha capacidade de síntese não só do pensamento como também da própria história da poesia. A cidade, no sentido que Platão lhe dava, serve aqui de pano de fundo e alimento dos livros, numa poesia acerca da qual pode dizer-se o mesmo que o poeta diz de Don’Ana: «excepcional pela exemplaridade / esplêndida da sua solidez: / não propriamente a solidez somática, / mas sobretudo a solidez de toda / essa existência tão bem acabada / e, ousarei dizer, perfeita em sua / imperfeição, assim como um retrato / de si, já que um retrato pode ser / perfeito ainda quando assim não seja / o retratado» (p. 24).

quarta-feira, 10 de maio de 2006

CÉU

O céu é uma casa escarrapachada.
Matilde (3 anos)

sexta-feira, 5 de maio de 2006

A NOITE

É um risco que por vezes corremos sem que grandes razões o justifiquem. Depois, procuramos remediar o erro com algum arrependimento na busca do tempo perdido. sem título (2002), livro de Bernardo Pinto de Almeida (n. 1954), não me tinha motivado qualquer interesse pela restante obra deste poeta estreado ainda na década de 80. Nem o nome de um autor serve de medida ao conjunto da sua obra, nem o conjunto da obra é a medida exacta do nome do autor. A questão é esta: por causa de um livro que não me agradou, desinteressei-me do resto. Este A Noite (Relógio D’Água, Janeiro de 2006) vem mudar tudo: pela densidade poética que propõe, pelo discurso arriscado e aglutinante, sobretudo pelo estranho prazer que a sua leitura convoca. Digo estranho porque o prazer que se retira da leitura deste livro não provém de um qualquer género de conforto. Antes pelo contrário, a poesia desta noite é desconfortável, inquietante, mas na exacta medida em que nos afirma sob o manto de uma sabedoria que não se impõe e, por isso mesmo, em momento algum se torna agressiva. A estruturação do livro em quatro partes, duas das quais agora republicadas (Depois que tudo recebeu o nome de Luz ou de Noite, 2002; Marin, 2005), leva-nos a pensar num esforço de organização tendo em vista um sentido de conjunto. Cada uma das partes, à excepção da terceira – um tudo nada diferente das restantes -, compõe-se de quatro fragmentos do que pode ser considerado um poema longo. Temos, logo a abrir, uma poesia em diálogo com os movimentos do mundo, marcada pela expressão de uma violência que se manifesta num tom ferido de ruína, crueldade e fadiga, onde a principal marca é a da ausência de uma segunda pessoa à qual o poeta se dirige. Mas esta segunda pessoa surge embaraçada num diálogo de imagens e vocábulos que pretende (e logra) confundir-nos: «Não há eternidade senão a desse instante / breve mas inexoravelmente persistente / de dois se amarem / sem vergonha ou respeito por mais nada / que não esse inesperado movimento que os transporta / para além de si mesmos - / e / meu Amor / até para além da terra que os seus corpos persistem em pisar / para além mesmo de toda a consideração pelo mundo - / pelas coisas do mundo: / por deus pátria família partido religião raça ciência – / o raio que os parta a todos - / crianças / gente esperando em silêncio a chegada do último comboio / os pobres perfilando-se para a esmola / ou as rodas inexoráveis que movem a finança / do surdo bater do dinheiro. Nada / senão isso: o teu corpo despindo-se na penumbra / o meu já aguardando o massacre / do encontro das bocas / da cona e da piça - / os sexos impacientes. // E tu: / eu apenas / e eu: / tu apenas» (p. 25). Vale a pena a citação pelo que ela introduz: um diálogo entre o amor e a morte, a vivência dos dois, o movimento que se processa entre esse amor que é vida e que nos foge para a morte, um diálogo que irá estender-se pelos restantes poemas de forma mais ou menos evidente. A espera será então por uma ausência agora sentida e confirmada na solidão, no esquecimento, nesse sentimento de naufrágio que o passar do tempo nos faz sentir. Ou seja, o que estes poemas nos permitem compreender é que o sentimento da ausência daquilo que se espera não está ausente. Daí que os mortos assinalem a passagem deixando marcas na pele e na carne, «pouco mais que um aceno / entre ruínas» (p. 120). São chamados à liça poetas como Eliot, Rilke e Auden, mas também, de forma menos evidente, os citados em epígrafe: Pound, Whitman e Joyce. Convém referir que o tom elegíaco, tendencialmente mais manifesto à medida que a leitura prossegue, não se deixa negar a si próprio pela facilidade de uma absolutização da morte, da ruína, da decadência: «A noite é só um fio que tende para a alvorada – a estrela do norte / aponta o seu caminho: / em breve será estrela da manhã» (p. 64). Os últimos versos não o desmentem. Mas para isso é preciso ler o livro.