I
Tinha a guitarra partida, luto na voz distorcida, espaço para uma canção antiga. Comia carne, vestia peles. A sua missão era mais fumada do que batida. Passeava descalço enquanto compunha a calça para baixo da tatuagem. Diziam que era vegan.
Tinha a guitarra partida, luto na voz distorcida, espaço para uma canção antiga. Comia carne, vestia peles. A sua missão era mais fumada do que batida. Passeava descalço enquanto compunha a calça para baixo da tatuagem. Diziam que era vegan.
II
Tinha a braguilha aberta, soprava na corneta, tinha cafeína e nicotina na palheta. Ensaiava discreta, aconchegava a saia enquanto caía o pano. Dava autógrafos, pregava bíblias. Ligou a pulga, carregou o sono, apagou a luz na Pensão Cuenca. Dizem que era santa.
III
Tinha os lábios arroxeados do vinho, encaroçados do fumo, hálito-uva-pisada. Os dedos afinavam-se-lhe no filtro, o polegar amansava-lhe a barba. Os olhos enterravam-se-lhe no rosto. Tinha umas olheiras bravas. A mão esquerda mergulhada nas entranhas, a espinha esmagada sob os ombros. Sonhos que serviam para nada. Dizem que é stripper.
Sem comentários:
Enviar um comentário