sexta-feira, 27 de outubro de 2006

A ALUNA

parecia aflita, tinha a cara lavada em suor, mas não, era do calor. Deitou-se num banco, fez-se mendiga. Descontente, ergueu-se, voltou a deitar-se, desta feita num canteiro de flores azuis. Apesar do canteiro ser de flores, apesar de deitada, ela agora era uma árvore, uma árvore derrubada, pronta para outro útil qualquer, pasta de papel, ela já era o papel, o papel onde escrevo estas palavras. A caneta percorreu o seu lúbrico corpo, era com os dedos que a via, via-a enquanto escrevia, escrevê-la era desenhá-la. Entretanto voltou a levantar-se, menos aflita, assim parecia. Descalçou-se, tirou as calças, uma blusa branca com dois ou três malmequeres bordados nas mangas, atirou-se à água, ao rio. Agora era água. Eu estava aflito, tinha o rosto lavado em água.

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