Sábado, 31 de Janeiro de 2009

FOGO DE ARTIFÍCIO

Houve um tempo em que as notícias começaram a encurtar, os jornais encheram-se de textos curtos e gigantescas fotografias. Quanto mais superficial, melhor. As pessoas não tinham tempo para ler e os jornais ofereciam toda a notícia condensada em títulos bombásticos. Houve um tempo em que os jornais pensavam poder sobreviver de textos de opinião assinados por gente mais ou menos credível, mais ou menos sedutora aos olhos de um público dividido entre a polémica e o discurso politicamente correcto. Houve o tempo dos brindes, das ofertas, das promoções, os jornais transformados em rifas e os quiosques em quermesses. Jornalismo propriamente dito, muito pouco. Notícias desenvolvidas e objectivas, artigos informativos, investigação e reportagem, quase nada. Impõe-se o humor, é preciso ter graça, escrever de uma forma sedutora, ou seja, ligeira, é preciso ter ritmo, o ritmo de quem leia um texto com o mesmo esforço com que olha, sei lá, uma paisagem campestre, patinhos a bailar no lago de um jardim. Tudo isto reunido deu em artigos opinativos graciosamente breves e ligeirinhos, geralmente sustentados por um brinde qualquer anunciado em primeira página. O escândalo, seja qual for o escândalo, é já só um pretexto para a opinião espirituosa. A investigação é um desinvestimento. O que se pretende é toda a gente a falar de um assunto sobre o qual ninguém sabe nada de concreto, pois, em boa verdade, nada há que possa ser revelado. Apenas fogo de artifício para ser comentado por quem se deixe apanhar pelo êxtase da opinião.

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