Não acredito em deus para lá desta luz, nem em nenhuma santidade que transcenda os pecados do meu corpo. Resume-se-me a fé a este desejo de ver o crescimento dos pinheiros, de esperar que a sorte os previna de incêndios funestos, sofrendo o seu crescimento na resina dos meus dias tanto quanto um dia a semente se fará pinha e dela extrairemos o primeiro alimento das nossas fogueiras domésticas. Pouco mais espero da vida. Que a chuva vá caindo e sobre ela o sol aqueça nossas dores, que as nuvens prossigam em viagem para o silêncio dos céus limpos, que as estações vão passando umas pelas outras como por nós vai passando a sabedoria dos dias. E sempre que explico às crianças esse passar, assombrado elas mantenham o espanto da dúvida, perguntando-me com pertinência se primeiro vem o Inverno ou a Primavera.
Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
PINHEIRO BRAVO
Não acredito em deus para lá desta luz, nem em nenhuma santidade que transcenda os pecados do meu corpo. Resume-se-me a fé a este desejo de ver o crescimento dos pinheiros, de esperar que a sorte os previna de incêndios funestos, sofrendo o seu crescimento na resina dos meus dias tanto quanto um dia a semente se fará pinha e dela extrairemos o primeiro alimento das nossas fogueiras domésticas. Pouco mais espero da vida. Que a chuva vá caindo e sobre ela o sol aqueça nossas dores, que as nuvens prossigam em viagem para o silêncio dos céus limpos, que as estações vão passando umas pelas outras como por nós vai passando a sabedoria dos dias. E sempre que explico às crianças esse passar, assombrado elas mantenham o espanto da dúvida, perguntando-me com pertinência se primeiro vem o Inverno ou a Primavera.
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