sexta-feira, 21 de novembro de 2008

KONRAD LORENZ

E um dia o cão viu Konrad Lorenz mergulhado nas águas frescas da canícula. Ficou sentado na berma do lago a perscrutar os braços do nadador, os patos chegando-se-lhe às melenas grisalhas, a sombra dos corpos estendida nas águas, cortada por finas ondas que mais pareciam estores líquidos. E um dia o cão falou numa língua inteligível, argumentando contra as sombras que um dia o afogaram. E um dia o pêlo do cão não precisou de deixar de ser pêlo de cão para se tornar humanamente respeitável, bem mais que os corpos afogados nas águas e que as águas bêbedas de corpos. E um dia eu ali, do outro lado, a olhar por cima das sombras o cão sentado.

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