Domingo, 15 de Março de 2009

VINHO A MARTELO

Reparo que todas as minhas luminárias são prenunciadoras de algo verdadeiramente trágico. Antonin Artaud foi um suicidado da sociedade, Daniil Harms foi expulso do Instituto Electrotécnico de Leninegrado devido a fraca participação nas actividades sociais, Boris Vian foi despedido porque corrigia os erros ortográficos dos seus superiores, Samuel Beckett foi agredido por estranhos, Franz Kafka foi um eterno desistente, Pier Paolo Pasolini foi outro solitário a quem fizeram a folha, Cesare Pavese caiu ao rio com os ombros a pesarem de cansaço, Albert Camus espatifou-se contra uma árvore (não há morte mais trágica!), Friedrich Nietzsche foi dado como tontinho por gostar de cavalos… Um rol de desgraças que nunca mais acaba. Que posso eu esperar da vida com luminárias destas? Que o Lidl mantenha os bons preços e que o senhor Antunes nunca deixe de produzir vinho a martelo. Adenda: Cervantes, Dante, Milton, Goethe, Rousseau, Homero, Stendhal, Tolstói, Dostoiévski, Proust… Até dói.

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