Em Rio Seco dos Marmelos, havia um padre linguarudo que era assaz concorrido no confessionário. Terminada a confissão, tinha por garantido o confessor que pouco mais que toda a aldeia estaria a par dos seus pecados. Como reinava no burgo a coscuvilhice, e o padre obsequiava-a com uma língua mais comprida que uma jibóia, não havia quem dispensasse o presbítero para mandar seus recados e praticar suas intrigas. Certo dia, também o padre sentiu necessidade de se confessar. Socorreu-se do único indivíduo da aldeia a quem não se importava de expor todos os seus vícios, um analfabeto surdo-mudo a quem Deus brindara com a virtude da mais calada incomunicabilidade.
2 comentários:
Diz-me esse surdo-mudo sabe escrevr?
Está claro..analfabeto...
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