quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ACORDAR

Caminhava por uma rua onde passa todos os dias. Meteu o pé numa poça. A poça transformou-se num pântano, o seu corpo começou a enterrar-se. Ele gritava por socorro, mas ninguém o ouvia. As pessoas circulavam desatentas, contornavam a poça, enquanto ele continuava a ser engolido pelo pântano. Subitamente, deu por si a observar-se. Estava numa sala de cinema. Não. Estava numa sala de exposições. Contemplava-se a si próprio enquanto se afundava no pântano. As pessoas continuavam a circular, ele olhava para o seu próprio sufoco mas nada fazia, não tinha braços, não tinha boca, limitava-se a assistir à sua própria queda como um espectador que assiste a uma tragédia íntima, pessoal, e nada pode fazer. Depois acordou. É o que lhe vai valendo. Os seus sonhos acabam sempre bem.

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