Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

NO METRO



No metro, uma miúda estrangeira serra as cordas de um violino à medida das suas necessidades.
O som dilacerante é atenuado pelo sorriso de uma outra, que dificilmente consegue interromper a corrida dos utentes, desesperadamente apressados e ausentes para se deterem e lhe darem uma moeda.
Estende-lhes um sorriso que termina num pequeno gorro de malha onde as moedas se recusam a repousar, alheias ao esforço da violinista em domesticar os sons que ─ também eles ─ se recusam a harmonizar o quotidiano de uma estação de metro.
À medida que diminuía a distância que me separava da determinação daquelas notas, tão insólitas como as duas estrangeiras ao cimo da escada, levei inconscientemente a mão ao bolso e deixei que o tacto escolhesse a melhor moeda para lhes oferecer.
Desconheço se a moeda era a melhor, ou pelo menos tão boa como a oferta daquela imagem ao fim do dia, quando todos os equívocos se tornam indispensáveis para acreditarmos que vivemos mais um dia. E a música ou um sorriso, tornaram-se tão insólitos como um gorro amarrotado e um violino desafinado.

... pergunta ao mar e à noite, à tempestade ─ pergunta aos bosques se o caminho não são as margens da nossa dimensão...

Jorge Fallorca, in a cicatriz do ar, Edição de Autor, Novembro de 2009, p. 23.

1 comentários:

.Leonardo B. disse...

Não resisto a partilhar, Caro Henrique, uma mensagem “urgente” que a Amiga Rejane me enviou; partilhá-la é o mínimo que posso fazer, possa ou não ser “prematura”, tamanha declaração:

“Depois de uma séria e cautelosa consideração, gostaria de notificar a renovação do nosso CONTRATO DE AMIZADE, para o ano de 2010 e seguintes…

“Nunca desvalorize ninguém…
Coloque cada pessoa perto do seu coração
Porque um dia você pode acordar
E perceber que perdeu um diamante
Enquanto estava muito ocupado a coleccionar pedras”

[Mande este abraço para todos os que você não quer perder em 2010, adverte-me a Amiga Rejane: é meu dever, minha tão grande obrigação…]

Um imenso abraço

Leonardo B.