Ouvi a história de um carteiro que, durante anos, deitou para o lixo a correspondência que era suposto entregar na caixa postal dos respectivos destinátários. Estes ficaram sem receber todo o tipo de correio. Também podem agora argumentar que nunca responderam a esta ou aquela carta por nunca a terem recebido, mesmo que isso não seja verdade. No meu caso, está explicada a razão pela qual nunca recebi as tuas cartas de amor. Sei agora que as escreveste e que o carteiro as entregou ao lixo, conseguindo assim a metáfora ideal para a nossa relação. Entre mim e o lixo, como sabes, existiu sempre uma evidente correlação. Ou então pensa desta forma: eu já sabia de mim como correspondência extraviada*, mas desconhecia que a culpa de nunca me ter encontrado era do carteiro.
*
assino corpo numa folha
lacro-me em correio azul
e envio-me a mim mesmo:
correspondência extraviada
(in antologia do esquecimento, 2003)
lacro-me em correio azul
e envio-me a mim mesmo:
correspondência extraviada
(in antologia do esquecimento, 2003)
2 comentários:
:)
A encomenda segua amanhã por correio, esperemos que se extravie.
(VP: «trasyla», seja ceguinho...)
Seja. :)
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