O vento está de volta. Um vento medonho, ruidoso e frio. Tal como as últimas horas. Eu sou um baralho de Tarot nas tuas mãos. Quando faz muito vento, lanças-me ao ar e eu fico todo espalhado pela terra. Vim de Lisboa com a melancolia já habituada. Ficaram por cumprir promessas. Precisava desenjoar das letras e a ressaca não deu para mais. O meu amigo Mário serviu-me tinto para comemorar o regresso. Havia um sorriso feminino por perto. E um gato, se bem me lembro. Mas não me lembro de muito mais. Ia-me estampando. Os livros não deixaram. Devo ter uma mão invisível a segurar-me do precipício, uma voz a chamar por mim sobre a terra. O excesso é compensado pela dor quando nos viciamos na melancolia. Não me queixo da solidão. A vodka faz-lhe companhia. Mas dificilmente regressarei nos próximos tempos às ruas que me enjoam, às praças que me entediam, à luz que me cega, ao lixo.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
BLOWIN IN THE WIND
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1 comentário:
Não me queixo da solidão. O vinho faz-lhe companhia...e as velas acesas e o jazz e a a gata preta com colar de pérolas dormindo no sofa e o vento a entrar pela janela...
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