terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A VERDADE

A juntou-se a B na defesa de uma questão fracturante. A estes juntaram-se C, D, E, F, G, H, I, J, K, L e muitos outros. Almoçaram e jantaram juntos, partilharam salas, em alguns casos deram de guarida uns aos outros, mostraram-se unidos em prol da causa. Depois, B subiu na vida, indicou G para seu assessor, chamou a atenção de X, homem poderoso e influente, para as boas qualidades de I, que foi prontamente chamado a desempenhar cargos de relevo nas esferas do poder. A ficou a olhar para todas aquelas movimentações, chuchava no dedo, desabafava amargurado com C, D, E, F, entre outros, o ter sido esquecido nesta nobre distribuição de competências. Ele já nem sabia quem era B, de tão ofuscado que andava pelo remorso. E, que era rato, escutou os desabafos de A e foi dar conta do sucedido a B, o qual agradeceu a confiança e aproveitou a oportunidade para perguntar a E se este não estaria disponível para fazer parte dos quadros de uma Central de Informação do Governo. E disse que ia pensar no assunto, mas passadas umas horas já estava a telefonar para dar conta da sua disponibilidade e agradeceu a B o convite. Ofendido, remoído, desesperado, A armou um grande escarcéu na imprensa. Escreveu artigos, deu entrevistas, fez denúncias, insinuações, tudo em nome da verdade, porque nada mais lhe interessava senão a verdade.

Sem comentários: