A predisposição genética dos povos forma-se na relação que mantêm com o meio ambiente. Sabemos o quão perigoso é atribuirmos características genéticas aos povos, embora seja legítimo falar de tendências que se revelam mais ou menos evidentes de indivíduo para indivíduo. Ainda que queiramos evitar generalizações, a Geografia torna evidente a pequenez territorial do continente europeu. Essa pequenez terá levado a uma escassez de recursos que nos transformou em povos colonizadores. A actuação colonizadora é universal, mas em grande escala parece-me inquestionável que nenhuma civilização a levou tão longe como a civilização europeia. A moralização das relações entre os povos e as várias culturas afastou-nos paulatinamente dessa atitude, mas não a apagou. A vontade de colonizar faz parte do nosso património genético. Não sendo mais possível colonizarmos os outros povos de um modo directo, fazemo-lo de um modo indirecto. E deixamos que os nossos líderes se encarreguem de nos colonizar a nós próprios de um modo muito mais directo. Hoje em dia, a Europa não é outra coisa: todo um povo colonizado por meia dúzia de líderes políticos, grupos económicos, forças especulativas. Resta saber como é que cada um de nós, indivíduos, vai aprender a conviver com esta nova realidade, ou seja, como é que vamos aprender a ser índios depois de tantos anos sendo cowboys.
2 comentários:
É verdade. Para já, começamos a ser sacados pelas agências de rating; mais se seguirá, se não houver uma consciência cidadã europeia, para lá do tacticismo da políticalha e das habilidades dos pequenos aldrabões de feira, os Karamanlis & outros GordonBrown's que se sucedem nos governos.
Olá RAA. Ainda bem que estamos de acordo. Em desacordo no caso Medeiros, pelo que li no Abencerragem, mas em concordância nesta espécie de "auto-colonização" que engorda ainda mais os gordos e leva ao desespero os novos escravos. Obrigado pelo comentário.
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