Ontem autografei um exemplar das Estórias Domésticas ao balcão. Não conhecia a cliente, nem sequer me encontrava na loja quando a compra foi feita. A minha colega é que se lembrou de me meter naquela alhada. E agora, interroguei-me, escrevo o quê? Que estou grato, pois claro. Mas, na realidade, enquanto escrevia que estava grato eu pensava noutra coisa. Pus-me a pensar num negócio de autógrafos. Imaginei uma loja onde as pessoas pudessem levar os livros dos seus escritores preferidos, o que não seria o caso, para serem autografados. O serviço consistiria em autografá-lo tal como o escritor o faria. Teríamos uma base de dados com autógrafos. De Goethe a Dostoiévski, de Nietzsche a Pessoa, autografaríamos todos os livros mediante o pagamento de um valor estabelecido numa tabela que tivesse em conta o grau de dificuldade do autógrafo. Assim, quem quisesse um autógrafo de Homero teria de abrir os cordões à bolsa. São raríssimos. Um pouco como os meus.
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