«Isto é só literatura, não é a Segunda Guerra Mundial» − ora aí está algo que eu andava precisado de ler. Às vezes sabe bem sermos chamados à Terra. Caso contrário, ainda nos esquecemos de que um dia tem 24 horas e estar vivo é o contrário de estar morto. Mas será só literatura? Será sequer literatura? Pela parte que me toca, tenho a dizer o seguinte: a dúvida que aqui levantei é-me mais que legítima tendo em conta o que li do que o Jorge até hoje escreveu. As epístolas eram um must de bajulice e graxa (lembro esta ou esta), os dois livros de poesia de um sentimentalismo enjoativo, duas ou três crónicas um chorrilho de palermices. Foi tudo o que lhe li. Dito isto, irrita-me que se façam orelhas moucas às palermices que o Jorge escreve. Os cegos, surdos e mudos terão as suas razões. Não me cabe julgá-los, mas cabe-me, enquanto leitor, questioná-los, até porque estou contra o comércio de gato por lebre. Ou será que em literatura temos de enfiar tudo pela boca adentro sem sentido crítico nem dúvida? Fique também claro que não pretendo dar lições sobre nada a ninguém, isto independentemente de estar convencido de que há quem delas necessite. Raio de sina esta que sempre que alguém levanta questões tenha de ouvir-se acusado de presunçoso, mal intencionado, invejoso ou outra coisa qualquer! Bom seria que se debatessem ideias, leituras, conceitos, que se discutissem argumentos, que se jogasse com o melhor que a retórica tem para nos oferecer. Infelizmente, não vai dando para tanto, visto que em vez dessa saudável troca de impressões deparamo-nos consecutivamente traídos pela falta de ideias, conceitos, leituras, argumentos. Resta dizer que, tal como o Jorge, não simpatizo com o anonimato, nicks, pseudónimos, essas tretas. Em weblogs de índole literária ainda menos, tão medíocre o que com ele se possa ganhar ou perder. Admito o anonimato quando se pretenda discutir. Neste meio, a essa intenção sobrepõe-se frequentemente a vontade de brincar com a pilinha que não se tem (é o que resulta da castração). Então, insulta-se gratuitamente, fazem-se insinuações, dizem-se mentiras. Sabemos como é. Mas que dizer, por exemplo, se em vez do anonimato se optar pela vetusta intriga palaciana? E se os palácios forem substituídos pelas caixas de e-mail por onde pululam os intriguistas com as suas unhas viperinas, dizendo mal deste e daquele mas sempre com o cuidado de solicitarem reserva e discrição? O que é mais censurável: uma brincadeira de cachopos ou o veneno da mexeriquice? Repare-se, para terminar, como neste post o Jorge começa por dizer que censurou um comentário que lhe era favorável (ó benfeitor, guarde Deus para ti um lugar no céu tanta é a humildade que demonstras ter), para no final nos brindar com os conteúdos desse mesmo comentário supostamente censurado. O que chamar a isto? Se nessa revelação não viesse uma torpe insinuação, a de que o meu amigo Rui Almeida é o autor do Máscara&Chicote, jamais eu me daria ao trabalho desta prosa. Na verdade, o autor desse pernicioso weblog sou eu (digo-o com o mesmo espírito da criança judia que no campo de concentração apontou para um morto quando lhe perguntaram quem andava a roubar galinhas). Não me interessa quem é o Fortinbras, assim como nunca me interessou quem era o Casanova e muito menos o Palomar. Por mim, podem ser todos farinha do mesmo saco. Até podem ser o Jorge Reis-Sá. Algo que me deixaria deveras espantado, caso viesse a revelar-se. Nesse caso, as minhas dúvidas estariam desfeitas. Até lá, mantenho o que disse. Que me provem o contrário.
6 comentários:
"Raio de sina esta que sempre que alguém levanta questões tenha de ouvir-se acusado de presunçoso, mal intencionado, invejoso ou outra coisa qualquer!"
Salvo erro, e cagando no assunto que por aqui é tratado, parece-me que temos aqui um caso de feitiço: virado contra o feiticeiro.
Chame-me agora para começar, presunçoso, passe para mal-intencionado, depois para invejoso e olhe, ou outra coisa qualquer.
Isso de defender os amigos só porque sim, se quer que lhe diga e caso não saiba, é água-corrente neste país de merda.
Sr. Anónimo,
Beijos e abraços
Bom, com esse título, hoje vais ter muitas visitas - como foi o meu caso, que raramente meto aqui os pés.
Mas abordando o tema, eu cá acho que tu gostas é de polémica, que não passas sem ela. Mas utilizar um amigo como pretexto é que não me parece muito bem, mas é só uma opinião.
Quanto ao outro tipo que tem repúdio por anónimos & etc., falar de um hipotético comentário que ninguém sabe se realmente existiu, só demonstra e salienta ainda mais o que já era patente.
Ando afastado das tricas dos poetas e não conheço nenhum dos que publica hoje em dia, excepto o João Miguel Henriques, que é meu amigo e um grande poeta. E porque é meu amigo, também asseguro que não é ele. Fui eu que lhe falei no Fortinbras. Tenho as minhas suspeitas de quem seja, sim. Pelo menos da parte de quem vem. Mas sãos só suspeitas.
Luís, eu não preciso de títulos destes para que o weblog seja muito visitado. Nem vivo obcecado com isso. Só muito recentemente reparei nas estatísticas do blogger. Não fora isso, nem sabia quantas visitas tenho ou deixo de ter. Este weblog não tem contador de visitas. Seja como for, agradeço a tua visita. Para quem nunca põe aqui os pés, tens uma pontaria certeira. E sempre podes dar um ar da tua graça. Obrigado. As notícias sobre a minha inclinação para as polémicas são manifestamente exageradas.
Nils, pela parte que me toca, isto não são tricas de poetas. Ainda bem que me lembras do João. Logo à noite, trago aqui a sua refinada poesia de toque medieval. :-)
mas vocês estão mesmo a falar a sério? não sabem mesmo quem é o fortinbras? aquilo já só falta assinar!
não me digam que sou o único a saber.
Já disse: o Fortinbras sou eu. O resto não me interessa.
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