Não quero saber de relações amorosas, só trazem ralações. Não quero saber de balanços nem de listas. Já toda a gente devia saber que são uma treta. O mundo continua a girar e nós vamos mantendo viva a ilusão de que vale a pena. De ano para ano, repetem-se os tiques, as datas, os feitos... As planificações repetem-se e as campanhas acompanham a rotina. Entre o Carnaval e o Natal há uma espécie de círculo onde vamos caminhando passiva e conformadamente. Por dedução somos hoje capazes de adivinhar o futuro com uma ínfima margem de erro. Querem apostar que o ano que vem nos reserva uma grande catástrofe natural seguida de impressionantes movimentos de solidariedade? Querem apostar que a Mariza será convidada num qualquer programa do Herman José? Querem apostar que o Medina Carreira continuará a frequentar os canais televisivos semeando a sua desesperança? Querem apostar que a Maria do Rosário descobrirá uma nova estrela da literatura portuguesa? Querem apostar que seremos roubados? Querem apostar que os jornais encontrarão os seus escândalos como um mendigo encontra pão para a boca? Querem apostar que os festivais de Verão terão lotação esgotada? Querem apostar que o Rui Santos dirá pelo menos um milhão de vezes "este é que é o mal do futebol português"? Querem apostar que o Moita Flores será chamado a comentar crimes hediondos? E que a poesia portuguesa continuará a ser o tema preferido de meia dúzia de idiotas? Querem apostar que pelo fim de ano do próximo ano voltaremos a ter listas dos melhores do ano que passou e balanços da década e parolices do género? Querem apostar que tudo continuará na mesma como a lesma?
9 comentários:
Somos mesmo um animal de tristes rotinas...
Continuação
Queres apostar que daqui a um ano estás a escrever o mesmo? ;)
Eu não quero apostar. Nem pensar. É demasiado arriscado. Perdia a aposta:)
Anabela, faço meu o comentário do Pedro Góis.
rotinas tristes... mas bem melhores do que na maioria dos países do hemisfério sul...
Há sempre um cenário mais degradante do que o mais degradante dos cenários.
P'ra pior já bastaria assim...
Abraço
Sempre há jeito de piorar. Experiência própria. E olhos postos no hemisfério sul.
qoheleth, etcaetera. feliz 1997.
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