...vender um livro dentro de uma caixa de sapatos sem qualquer utilidade relativa ao objecto equivale, na prática, à rendição incondicional perante as outras industrias culturais. É como tentar vender telefonias embrulhadas em leitão assado ou uma merda assim dessas...
Apanhado aqui.
3 comentários:
Queria comentar isso, mas temo ser impertinente: posso comprar um livro, mas não me sinto comprando um poema de Emily Dickinson, por exemplo. Por aí talvez se escape da indústria cultural e suas embalagens.
Por aí não sei como é, mas por cá vendem-se livros embrulhados em saquinhos de renda.
Por aqui o mercado editorial está a toda, aparentemente todo mundo está lendo, mas há um ranço forte de cultura como ornamento. O conto "Teoria do Medalhão", de Machado de Assis, é uma aula de como se tornar oco apropriando-se de algumas poucas citações e frequentando livrarias apenas para ser visto nelas. Em 1948, num artigo de jornal, Sérgio Buarque de Holanda escreveu isso:
"Fiados no poder mágico que a palavra escrita ou recitada ainda conserva em nossos ritos e cerimônias, e que será sempre de interesse para quem se proponha a pesquisar o complexo folclore dos civilizados, não falta os que vêem no 'talento', no brilho da forma, na agudeza dos conceitos, na espontaneidade lírica ou declamatória, na facilidade vocabular, na boa cadência dos discursos, na força das imagens, na agilidade do espírito, na virtuosidade e na vivacidade da inteligência, na erudição decorativa, uma espécie de padrão superior da humanidade.”
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