sábado, 26 de fevereiro de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #1



Mais um pretexto para matar tempo, recordar bons momentos, partilhar os sons de uma vida. A ideia, admito que tonta, surgiu de uma conversa com o Manuel: os 100 álbuns mais assustadores que me deram cabo da vida (presumo que em sentido figurado). Começo pelo Art Ensemble of Chicago e um conjunto de gravações antológicas. O disco chegou-me às mãos através de uma colecção feita por fascículos, das poucas que iniciei e consegui terminar. Valeu a pena o esforço. Os folhetos da Jazz Time informam-me do essencial: registos efectuados entre 1970 e 1984, por terras de Paris, Bolonha, Tóquio e Ann Arbor (no Michigan). É difícil contextualizar a música do (ou da) Art Ensemble of Chicago. Na verdade, trata-se de uma instituição com repercussões que vão muito além da mera arte de produzir música. Quando os vi no Fórum Cultural do Seixal, a 30 de Outubro de 1998, pude presenciar a força desta confluência de sonoridades organizadamente caóticas. Geralmente conotados com um jazz de colorido free, são responsáveis por um dos temas de fusão mais cool que alguma vez tive oportunidade de ouvir: Theme The Yoyo, um tema que serviu de banda sonora ao filme Les Stances à Sophie (Moshé Mizrahi, 1971) e era tocado ao vivo pelos Cool Hipnoise com bastante estilo. Mas a generalidade da música do Art Ensemble escapa a qualquer rotulagem convencionalista. Em palco, a aparência cénica do conjunto remete para uma manifestação tribal. Os músicos vão trocando de instrumentos, dão o lugar uns aos outros, circulam de rosto pintado transportando-nos para um mundo alternativo ilustrado por uma big band de feiticeiros africanos. E, na realidade, é de pura feitiçaria que se trata quando ouvimos Malachi Favors no baixo, na cítara, no banjo, Don Moye rodeado de campainhas, marimbas, tambores, Roscoe Mitchell arrancando notas nos instrumentos de sopro, etc. Para abrir o apetite, sugiro que ouçam e vejam isto com atenção:



É apenas uma parte de algo que tem continuidade lá de onde este fragmento veio. Vale a pena continuar a ver.

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