segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

FEBRE

Estou absolutamente convencido de que as mulheres não compreendem os homens. Por exemplo, a minha mãe. Eu dizia-lhe que tinha febre e ela enfiava-me um termómetro no cu. Nunca percebeu que a minha febre não se media em graus célsius. A minha febre era de outros níveis. Já a minha irmã mais velha apalpava-me a testa. Não bastava eu dizer-lhe que a minha testa era de ferro, ela insistia em apalpá-la. Tão quente que dava para assar um bife, um bife na testa. A minha outra irmã orava por mim, ao mesmo tempo que evocava os espíritos das avós mortas. E a testa rachava-se-me de uma fonte à outra, jorrando águas que enchiam garrafões que matavam a sede aos insectos. As mulheres. Tive uma que confundiu febre com amor. Eu só queria uma porra de uma aspirina. Outra meteu-se-lhe na cabeça que havia de me fazer feliz. Quase morri desidratado de tanta felicidade. Agora sinto-me bem, tenho os termómetros enfiados no cu certo. Ainda que, por vezes, sinta que tenha o cu fora do lugar.

1 comentário:

carol disse...

Você teve foi muita sorte em ter tantas mulheres à sua volta! Lhe garanto!

Pobres do homens sem as mulheres...