quinta-feira, 3 de março de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #3


Tenho para mim que nenhuma época terá sido tão agradável para as pessoas deprimidas como o início da década de 1990. Estou mesmo convencido de que por esses anos as pessoas deprimidas andaram todas muito felizes. Sustento a tese num facto inquestionável que foi a proliferação de bandas deprimentes por essa altura, bandas que faziam as delícias dos urbano-depressivos, dos ruralo-melancólicos, dos ruralo-urbano-elegíacos, etc… Para tal muito contribuiu o aparecimento de um subgénero baptizado de neo-country, colados ao qual foram fazendo carreira diversos projectos tais como Tarnation, Red House Painters, Palace (nas suas múltiplas encarnações), Mazzy Star, The Walkabouts ou mesmo Tindersticks. Nos subterrâneos desta coisada toda, aquilo que ficou para a história como sadcore (slowcore na sua variante pop). A designação não é programática, pretende apenas classificar a estrutura lentíssima, hipersensível e desconsolada das canções. Levado à letra, o sadcore está para o rock alternativo como o cansaço para a vida quotidiana. Os Low foram a versão mais radiofónica do género, mas coube aos nova-iorquinos Codeine, cuja designação revela toda uma identidade, a concretização de um dos melhores registos fonográficos nesse contexto deprimente. Melhor que este The White Birch e antes dele só mesmo os álbuns dos Galaxie 500. Uma curiosidade interessante é a participação de David Grubbs em alguns temas deste álbum, o mesmo Grubbs dos Bastro ou dos Gastr del Sol de Jim O’Rourke. Grubbs tem um álbum a solo muito porreiro intitulado Rickets & Scurvy (2002). A modos que isto anda tudo ligado e em 1994 a Sub Pop, primeira editora dos Nirvana, materializou o segundo e último álbum dos Codeine. Aqui e acolá, algumas explosões de energia não renegam o espírito geral deste disco, resumido no verso final do tema Tom: I need a reason to smile. Ei-lo:


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