Domingo, 29 de Maio de 2011

HENRIQUE FIALHO, O CRÍTICO, O MÁRTIR




Henrique, não quero ser teu amigo, pois os amigos querem-se honestos, intelectualmente e não só.



Tudo isto seria escusado, não fosse a virgem ofendida não suportar mentiras e acusações de desonestidade. Sobre críticas, não me alongo. O que escrevo sobre livros, e nunca por mim foi, é ou será interpretado como crítica literária (actividade que nem me merece especial simpatia), está disponível na secção Leituras. Lá encontrará o leitor interessado alguns comentários, ora favoráveis, ora desfavoráveis às minhas impressões. O resto é-me indiferente. Sobre a premonição das chatices, sugiro ao Paulo Tavares que se informe junto de pessoas que lhe são certamente tão queridas a ele quanto a mim. Foi junto dessas pessoas que manifestei o meu oráculo, as mesmas poderão confirmá-lo. Sobre o porquê de só agora ter escrito sobre o livro do Luís Felício, não vejo como justificá-lo (carecesse isso de justificação) senão afirmando que pela mesmíssima razão que só a 2 de Fevereiro de 2011 escrevi sobre um livro publicado em 2009. Muitos outros exemplos há, mas pergunto: tenho eu alguma obrigação de escrever sobre o que quer que seja em calendários estipulados pelo Paulo Tavares?

No entanto, não posso deixar passar um parágrafo deste texto sem o que ele me merece. O parágrafo é este:

Repito que não me insurjo contra a opinião do Henrique, mas contra o impulso de alguém boicotar as publicações e os autores da Artefacto. Se não o faz conscientemente, isso é outra coisa. Mas que o tem feito, tem. E, ainda assim, no meio disto, foi-me enviando alguns e-mails quase fraternais, como se lhe parecesse possível e natural que nós fossemos amigos.

Não me refiro ao «impulso de boicotar as publicações e os autores da Artefacto», o que me parece de um estado paranóico sem discussão. Refira-se apenas que muito recentemente manifestei extremo agrado relativamente a um livro do Paulo Tavares, tendo o mesmo sucedido relativamente a um livro do Hugo Milhanas Machado, assim como ao da Soledade, que tive o prazer de apresentar. De resto, que raio é isso de boicotar uma editora? E o que escrevi sobre os livros da Artefacto é assim tão negativo a ponto de justificar uma acusação destas? Mas pode alguém dizer que eu pretendo boicoitar uma editora e os seus livros escrevendo sobre eles? Eu? Num blog? Isto faz sentido? Inconscientemente? Deverei procurar um psicanalista, já que de cardiologista não estou precisado, que me ponha a claro estes impulsos negativos, esta fonte do mal, este desejo de morte? O Dr. Freud que responsa. Vamos, por fim, aos e-mails «quase fraternais» que eu enviei ao Paulo Tavares.

O meu primeiro contacto com o Paulo foi a 25/05/2010 porque ele tomou a iniciativa de me escrever:

Caro Henrique Fialho,
Gostaria de te enviar um exemplar do meu segundo livro de poesia (que se segue a Pêndulo, publicado pela Quasi, em 2007). Podes confirmar-me a morada para onde o posso fazer?
Envio-te, também, um convite para o lançamento do livro, com apresentação do António Carlos Cortez e com leitura de poemas pelo actor Luís Lucas.
Se puderes, aparece. Gostava de te conhecer (algo que poderia ter acontecido na apresentação do livro do Joan Margarit na Casa Fernando Pessoa, não fosse a minha falta de habilidade para abordar as pessoas).
Um abraço,
Paulo Tavares


Eu respondi:

Olá Paulo.
Embora me vá ser muito difícil, tentarei estar presente na apresentação do «Minimal Existencial». Como é óbvio, desejo-te as maiores felicidades. O meu endereço postal é:
Rua José Tanganho
N.º 22, 3.º Esq.º
2500 Caldas da Rainha
Agradeço muito a tua atenção, algo que me deixa tão sensibilizado quão surpreendido.
Saúde,
Henrique


A 13/07/2010 o Paulo voltou a escrever-me:

Caro Henrique,
Envio-te, em anexo, o convite para o lançamento do segundo livro da Artefacto, Em cidade Estranha, de Daniel Francoy.
Enviei-te o livro na semana passada. Espero que te tenha chegado em condições...
Um abraço,
Paulo


Dois dias depois, a minha resposta:

Olá. Li ontem o teu livro. Gostei muito das "Linhas de fuga". Nas outras partes há poemas que me parecem bons e outros que me parecem menos bons, mas como conto escrever sobre o livro para o Rascunho não quero adiantar nada. Para já, ficam os meus parabéns. Saúde, Henrique

A 18, o Paulo, na primeira reacção àquilo a que agora chama uma crítica de merda:

Olá, Henrique.
Obrigado pela atenção que dedicaste ao livro.
Na verdade, julgo que é um livro (ao contrário do meu primeiro, que é mais frágil mas eventualmente mais directo) com o qual se tem uma relação complicada num primeiro momento. É mais denso em algumas partes, talvez, resultado de cerca de três anos e tal de trabalho nele...
O nosso próximo livro deve sair em Setembro e gostava de poder contar contigo numa dessas futuras apresentações.
Um abraço,
Paulo


Seguiu-se, a 22/10/2010 mais uma fraternal troca de e-mails. O Paulo:

Caro Henrique,
Antes de mais, obrigado por teres aceitado o convite para fazeres a apresentação do livro da Soledade. Já era para te ter contactado há mais tempo, mas ando completamente cheio de trabalho.
Sei que a Soledade te enviou o PDF do livro e, por isso, pergunto-te se te podemos entregar um exemplar na sexta-feira ou se preferes que o enviemos por correio. Caso prefiras esta segunda opção, não há qualquer problema, envio-o amanhã de manhã por correio azul.
A que horas conseguirás cá estar na sexta? Tinha pensado encontrarmo-nos por volta das 19h na Guilherme Cossoul e irmos jantar antes do lançamento, mas entretanto a Soeldade disse que para ti era capaz de ser complicado..
Envio, em anexo, o convite.
Um abraço,
Paulo


Eu, em resposta:

Viva.
Não é preciso enviar nada pelos Correios. Já tenho o PDF. O livro fica para depois.
Na sexta, saio às 19h. Dempster apanha-me e seguimos os dois para Lisboa.
Também não é preciso agradecer. :-)))
Abraço
e saúde,
Henrique


Entretanto, escrevi sobre a revista Agio e seguiu-se o que já se sabe. O Paulo voltou a escrever-me um e-mail, já aqui referido, e eu respondi-lhe em e-mail que ele reproduziu no blog dele. Por essa altura, a 16 de Março, tomei eu a iniciativa de o contactar, pela primeira e única vez que o fiz, nestes termos:

Olá Paulo,
Queres vir cá Sábado?. Arranjo-te um sítio onde ficares com quem quiseres trazer. Tenho uma apartamento em São Martinho do Porto e podem ficar lá. Vou almoçar com o Dempster e com a Soledade. O que chega para quatro (A Ana mais as minhas miúdas também vão) chega para seis. Faziamos-lhes uma surpresa. Acho que podia ser muito saudável. Falávamos da Agio e de outros assuntos. Ficaria muito feliz se aceitasses. O meu apartamento em São MArtinho é excelente, tem vista para a baia. :-) Só te chateio durante o almoço, depois ficas livre para curtir a paisagem como bem entenderes. Pensa nisso.
Saúde,
Henrique


E o Paulo respondeu:

Henrique,
Agradeço o convite, mas vou ter de recusar. A Sara faz anos no Sábado e já temos coisas combinadas. Além disso, a proximidade destes acontecimentos leva-me a acreditar que o melhor mesmo é, como se costuma dizer, dar tempo ao tempo.
Paulo


E pronto, de «e-mails quase fraternais, como se lhe parecesse possível e natural que nós fossemos [sic] amigos» é tudo. Eu limitei-me a escrever-lhe uma única vez, convidando-o para um encontro onde poderíamos esclarecer o que eu pensava sobre a revista e ele tomou por atentado terrorista de lesa-Agio. Perante isto, sempre gostava de saber quem é que não está a ser honesto. Intelectualmente e não só.

26 comentários:

fallorca disse...

Ganda photo!!!
Ahahahahaha

Mário Lisboa Duarte disse...

É o Cristo Negro de Esquipulas! http://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:Scan00010_-_Copy.jpg.

Proponho à Artefacto editar o seguinte livro: "Amor não correspondido: Correspondência entre HMBF e um senhor de Montelavar, Sintra".

Anónimo disse...

Cuidado. Com a fome que o Catrapiço da Estiva tem de "poetas", ainda publica esses meninos dessa revista e vais ter aguentar ser autor da mesma editora deles...

Tolan disse...

Estás giro na foto, mas fizeste batota que isso não são pregos. É mesmo à poeta... :D
Eu por acaso gostei das tuas críticas, achei-as mesmo muito, muito bem escritas. Penso que quem te envia livros, um bocadinho naquele jeito de "por favor fala nele e divulga-o" deveria saber com quem está a lidar.
Quando pedimos a opinião a um amigo temos de ter a consciência que o podemos estar a entalar, ele tem de se sentir à vontade para vomitar se for preciso. E se aquilo é uma merda? Custa um bocado, pois custa, mas há que aguentar a cena como um homem e mais vale antes do que depois de publicar. Se passar os crivos todos, o do próprio (principalmente), o de uma ou duas pessoas com quem temos afinidade literária e reconhecemos grande espírito crítico, culminando no de uma editora séria (ahahaha), aquilo que outros críticos digam dele será completamente indiferente a partir daí, a única coisa que importa é a reacção do leitor anónimo e virgem.

hmbf disse...

Tolan, não percebes nada de poesia. Os pregos estão lá, cravados no coração. ;-)

Vai-te preparando. Quando apanhar o teu romance nas mãos, dou-lhe cabo do canastro. :-))))

Catarina Teixeira disse...

Que confusão! As pessoas são tão complicadas... :) Não há pachorra. Gostos não se discutem. O que me aborrece é quando há gente que tem um ego tão grande que se torna um obstáculo ao cérebro e à sensibilidade... :)

Amélia disse...

Quando se escreve e se pede opinião é empre um risco...Por disso falar: eu não faço recensões - mas quero dizer-lhe que gosto muito do seu A dança das feridas. Mais do que do outro,Estranhas Criaturas.
E gosto muito de vir aqui visitá-lo quase diariamente.

Anónimo disse...

És um grande crítico, mas criticar livros de outros autores das "tuas" editoras, tá queto... E dizer mal deles, tá quetinho... Como diria o João Pinto do Porto, um crítico com H grande.

P. disse...

Quando se acha que só devem ter voz as vozes que afinam com a nossa...

manuel a. domingos disse...

é como te digo: qualquer dia ficas sem amigos e só te restam bibliotecas.

mas eu já te topei! tu não andas as boicotar a Artefacto. isso é apenas uma manobra de diversão!! já te topei! andas é a boicotar-te a ti próprio, ao escrevres coisas a dar a tua opinião! onde é que já se viu!! dar opinião!

mas deixa lá: esse boicote não irá resultar...

abraço


palavra de verificação: FRALETA (linda, não?)

Ega disse...

Caríssimo hmbf,

Não sou leitor habitual de poesia, e ainda menos se for poesia portuguesa contemporânea. De facto (e não tenho problemas em reconhecer esta minha limitação) não faço a mínima ideia de que porra, vós poetas, estais para ali a dizer.

Pelo contrário, o que eu adoro é ler a crítica feita àqueles mesmos poetas (eh pá, eu sei que muitos de vós não gostavam do gajo, era uma espécie de terrorista crítico e tal, mas tenho saudades de ler o Fortinbras do Máscara e Chicote...)

No fundo creio que vivemos uma fase histórica um pouco semelhante ao período bizantino, em que o que escreviam os glosadores e comentadores eram bem mais interessante do que o próprio comentado ou glosado.

Por fim, e apesar de tudo o que ambos os contendores escreveram, acho que lhe é bastante censurável a publicação de correspondência privada neste lugar.

maria disse...

e blasfemo, pá!

resumindo:

1º quando te pedem opinião, é para que seja favorável.

2º se dizes o que pensas, qualquer relação (inclusive fraternal) é automaticamente posta em causa.


E a verdade, quase sempre, custa muito a ouvir.

por mim, tás perdoado, amigo :)

hmbf disse...

Caro Ega, agradeço o seu comentário e aceito a sua censura. No entanto, como saberá, muita dessa peleja literária a que se refere usou, em diversas ocasiões, da revelação de correspondência privada. Eu fui acusado de desonestidade (algo que não admito a ninguém) e de pretender boicotar uma editora e os seus autores, insinuação que, a não ser ridícula, é ela própria desonesta perante os factos apresentados. De resto, podemos fazer uma contabilidade muito simples: que me lembre, escrevi sobre 4 livros da Artefacto; gostei de dois, gostei menos de um, não gostei de outro (só este mereceu as reacções espúrias). Também não gostei da revista da Artefacto, o que, mais uma vez, se prova ser um crime terrível neste país. Devo ter um problema com a revista à portuguesa. A exposição dos e-mails era, do meu ponto de vista, indispensável para deixar claro estes aspectos: foi sempre o Paulo Tavares que veio na minha direcção, nunca lhe escrevi, como ele afirma, e-mails quase fraternais, limitei-me sempre a dar resposta às suas solicitações e a reagir, pacientemente e com boa vontade, às suas indignações. E agora vou ali boicotar-me mais um bocado. Saúde,

hmbf disse...

Santa Maria, nesta época de profundo desencanto, nada mais me alegra do que merecer a sua bênção.

sonia disse...

Eu me especializei em lidar com gente carente e perturbada...simplesmente "mato", "enterro" e "mando rezar missa". Nunca mais me lembro dessa pessoa na vida!
Você ainda é mais tolerante que eu, colocou os diálogos todos, de onde se vê que o rapaz lá é super problemático. Mas foi bom, assim fica documentado o vexame que ele deu!
Abraço.

Anónimo disse...

Ainda havemos de ver o Paulo a publicar pela Averno, e isso explica quase tudo. ;)

Anónimo disse...

Olha as tricas que o teu amiguinho Zé anda a fazer na ACTUAL (com cê):

«A Luísa Mellid-Franco deu cinco estrelas ao livro e o José Mário Silva também gostou imenso do livro e ficaram entusiasmados (...) Mas aquela coisa das estrelas, em vez de porem cinco puseram três. Houve alguém que alterou aquilo. Soube disso pelos próprios, que na altura ficaram em pânico. Na Dom Quixote ficaram... eu é que os acalmei. Claro que a rectificação já não consegue prevalecer. Conto isto porque chocou muitas pessoas que me telefonaram. Houve um sentimento de espera muito intenso em relação a este livro.» (http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2011/05/as-estrelas-da-lidia-jorge-ou-do.html).

A ver se quando tiveres uma crítica ele te avisa antes, como fez à Lidinha, e não troca as estrelinhas, ou então vai ficar de novo "em pânico", tadinho.
Outro grande crítico com H...

João S. Rodrigues disse...

Henrique Fialho, não te sabia com tal legião de seguidores (além-mar e tudo?).

Mas quantas destas pessoas conhecem o Paulo Tavares (e não apenas a versão dele aqui deixada por ti) para acharem que têm legitimidade para falar dele?

Aos "treinadores-de-bancada": no que me toca (e sei que a muitos outros que o conhecem), o Paulo Tavares é uma das melhores pessoas que vejo realmente fazer algo nos tempos que correm. Limitam-se a criticá-lo porque o Henrique Fialho se sentiu lesado com isto e aquilo, mas a "luta", a existir, não seria vossa.

Afinal de contas, que colheradas podem outros meter numa questão que não lhes diz respeito, sem ser para simplesmente atestarem a sua própria inutilidade e ignorância no assunto?

O Henrique Fialho precisa que proclamem a sua honra? Não soa isso a falso “seguidismo”?

Poupem-se aos comentários absurdos sobre algo que desconhecem, caso contrário, apenas cairão nas armadilhas e no veneno da vossa própria (falta de) argumentação.

Reclamam liberdade de expressão, mas caíram em cima do Paulo Tavares assim que ele (no seu próprio espaço e não aqui) ousou manifestar-se e usar também ele da sua liberdade (que, segundo critérios de equidade, é a mesma que assiste ao Henrique Fialho).

Todos os direitos têm obrigações que lhes correspondem e vice-versa.

E, para vosso bem, não acreditem nunca apenas numa versão dos factos e, neste caso, apenas temos a do Henrique Fialho.

Cumprimentos,
J.R.

(p.s. - parece que a Averno incomoda muita gente (sobre isso nem me alongo, nada tenho a ver com a editora ou os que a gerem - e que eu saiba o Tavares também não) - não sei se algum dia o Paulo Tavares virá a publicar pela Averno, mas se o fizer - o que a mim me deixaria satisfeito - será apenas o caso de mais uma editora que reconheceu a qualidade do trabalho dele (quem é que vê mal onde?)

Mário L. Duarte disse...

A Atual é só estrelas!!!:-)

Anónimo disse...

A Deriva mete a Averno no sapato, pá! Onde é que a Averno tem chicha como a Pipinha ou a outra das plantas do pés, pá? P'ra puta que pariu com a Averno, pá!

hmbf disse...

Ora aí está a toupeira. Hoje deixei-te vir à superfície, ó animal. Mas não voltas, pelo menos nos mesmos termos. Quero reivindicar a grade de minis a que tenho direito.

Mário Lisboa Duarte disse...

Sugestão para o moderador: convidar todos os anónimos que por aqui vão aparecendo(e apenas estes) para uma churrascada, onde somente se partilhariam ideias anónimas. Vê lá, não compres é muita carne, pois o mais provável é que não sejam "mais do que as mães"!

hmbf disse...

Mário, excelente ideia. Marquemos a data, o local, a hora.

Anónimo disse...

És editado por estes tipos? http://www.deriva.pt/
Se os livros não vendem, voltam à pasta de papel? É isso? Curioso...

Anónimo disse...

"O meu apartamento em São MArtinho é excelente, tem vista para a baia" Ena, isso da literatura e coiso deve estar a dar... Deve ser dos "roialtis"

Mário L. Duarte disse...

Então os posts do PT agora desapareceram? Hummmm. Insondável mistério... Perde-se assim um belo pedacinho de literatura... Paciência. Fica o dito: "Calar-se não é ser mudo, é recusar falar, portanto falar ainda.» (J. P. Sartre, Qu' est-ce que la Literature?)