quarta-feira, 22 de junho de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #21



A 2 de Março de 1900, nascia Kurt Weill em território germânico. As lições de piano começaram à entrada da adolescência, se bem que, naquele tempo, as idades mereciam medições menos rigorosas. O tamanho da adolescência era proporcional à maturidade retardada de inúmeras almas hoje vítimas de um infantilismo alongado à razão de baterias Duracell. Aos 13 anos, a primeira composição. Ao longo dos anos, por convicção ou necessidade, a música erudita foi dando lugar a sonoridades mais populares. O teatro berlinense era o palco ideal para algo que se vinha desenvolvendo nos últimos anos. Já na década de 1920, aproximações a grupos ligados a uma arte de pendor socialista levaram-no a travar conhecimento com a actriz e futura mulher Lotte Lenya. Música para teatro e canções foram o pão-nosso de cada dia no trabalho de Kurt Weill. O primeiro encontro com a obra de Bertolt Brecht deu-se em meados da década de 1920. Brecht estava então casado com a cantora de ópera Marianne Zoff, mas aproximava-se cada vez mais da actriz comunista Helen Weigel. O contacto entre Brecht e Weill nasceu, pois, num ambiente dramático que coincidiu com a ascensão do nazismo e a aproximação de ambos ao comunismo. A primeira colaboração foi Mahagonny, continuada na ópera Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny. Um ano antes, Bertolt Brecht tinha publicado o seu primeiro livro de poemas: Taschenpostille. O sucesso da colaboração levou-os a explorar o potencial das canções populares em operetas, emissões radiofónicas, peças de teatro. O título deste álbum explica o resto. Ute Lemper, actriz, cantora, bailarina, recrutada por Pina Bausch para Kurt Weill Revue, interpreta com excelência as composições do mestre. As gravações datam de 1988 e repercutem um ambiente que, apesar de algo datado na generalidade, não deixa de impressionar pela sugestão de ambientes tão irónicos e erosivos quão trágicos. Die Moritat Von Mackie Messer ou Alabama-Song são hoje património universal, graças ao génio de Weill, Brecht e das sucessivas reinterpretações que, como esta, souberam resgatar do entorpecimento a memória de um período inquietante na História da Humanidade.

1 comentário:

El transcriptor disse...

Eu acrescentava à lista o par deste disco, Ute Lemper Sings Kurt Weill vol. 2, onde temos pérolas como “Bilbao-Song”, “Der Song von Mandelay” ou “Youkali”, de Happy End; “Le Roi d’Aquitaine” ou “J’atends un navire”, de Marie Galante; e “One Life to Live” ou “My Ship” de Lady in tha Dark. Uma beleza como este primeiro volume