sábado, 2 de julho de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #22



Provenientes da Finlândia, os Värttinä souberam afirmar-se como um dos mais competentes projectos a recuperar e actualizar o folclore escandinavo. Apoiados em quatro vozes femininas, recriam temas tradicionais aos quais juntam composições originais de tonalidade similar. Ainda que o seu principal instrumento seja a voz, logram conjugar diferentes instrumentos acústicos e alguma electrónica numa extraordinária e empolgante simbiose. Ilmatar, o registo de 2001, deu continuidade a um trabalho de representação da mitologia nórdica através das canções. É uma música que recorre amiúde a sonoridades intimidadoras, logo suavizadas e tranquilizadas por uma alegre, mas quase sempre enigmática, celebração das forças encantatórias. Ouvi-los é como penetrar um bosque denso e aí entregarmo-nos a uma deriva sem bússolas nem qualquer tipo de orientação. O tema Aijo, por exemplo, aproxima-se de um rock com inclinações góticas, misturando vozes cavernosas, cordas em transe e as típicas vocalizações femininas da banda num baile medievo que sugere uma espécie de ritual iniciático. As evocações dos deuses nórdicos dão ao projecto uma aura feérica com bruxas, semideuses, espíritos, gnomos, fadas e feiticeiros à mistura. A poção mágica que têm para oferecer não é simples, obedece a estruturas melódicas e rítmicas complexas, mas nunca resvala para um hermetismo autocontempaltivo que tantas vezes prejudica alguns projectos do género. Em última instância, são festivos sem serem frugais.

1 comentário:

vinhas disse...

é,de facto, um trabalho interessante e que se torna divertido quando tentamos cantar as letras!