As personagens de Break It Down (Lydia Davis) são geralmente paranóicas, sofrem de uma disfuncionalidade doméstica que as impele para um labirinto de reflexões inconsequentes. Ou ocupam lugares instáveis em famílias à beira do abismo, ou estão perdidas no deserto do ensimesmamento. Separações, divórcios, sonhos adiados por desilusões devastadoras são os argumentos que dão forma a existências cujas vidas parecem justificar-se apenas pela procura de momentos pacificadores. De todos, o conto que mais me cativou foi Esboços para uma Vida de Wassilly. Wassilly (was silly?), sendo a mais ficcional das personagens, é igualmente a mais realista. Tem qualquer coisa de sartriano, embora a náusea ainda não o tenha derrotado definitivamente. A sua batalha é íntima, não está em conflito com o mundo nem com os outros. Apenas consigo próprio, com o desânimo que o tomou, com a desilusão que o assaltou. Lydia Davis é genial na objectividade que coloca na caracterização do seu personagem: «ele era apenas um intelectual gordo», «uma pessoa agradável mas ineficaz». E ainda que a ideia que construiu de si próprio esteja desfasada da realidade, Wassilly não tem solução senão viver o resto dos seus dias na companhia de um cão. No mundo real, só falta o cão aos wassillyanos.
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