sábado, 19 de novembro de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #31





A poesia de Odysseus Elytis (ou Odysséas Elytis) tem sido alvo de várias intervenções ao longo dos tempos. Nascido em 1911, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura em 1979. Os leitores portugueses podem tomar-lhe o gosto a partir da leitura de Louvada Seja (Áxion Estí), obra publicada na língua de Camões, com tradução de Manuel Resende, pela Assírio & Alvim, em Março de 2004. Angélique Ionatos, cantora grega radicada na Bélgica, oferece-nos uma outra perspectiva dos versos de Elytis. Em 1995 compôs uma série de temas a partir da elegia Parole de Juillet. Para o efeito, convocou as vozes de Spyros Sakkas e de Emmanuel Pousse, o baixo de Didier Malbee, as cordas de Henri Agnel, o violino de Michael Nick, o clarinete de Bruno Sansalone e a percussão de Jean-François Roger. Organizado como uma peça teatral, Parole de Juillet enfatiza as palavras do poeta grego com arranjos que remetem para a música tradicional grega. O maior risco deste tipo de trabalhos é o de subverter a cadência das palavras, impondo-lhes ritmos e melodias que fazem desmaiar a força dos poemas. Seria como levar à missa a paixão, o desejo, o tesão. Angélique Ionatos não só soube respeitar essa musicalidade como lhe deu um volume extraordinariamente eficaz. Neste caso a conjugação resulta perfeita. As cordas atingem, a espaços, níveis de exaltação deveras empolgantes. O tom elegíaco dos versos é respeitado, mas não determina nem condiciona o risco em que as composições se aventuram. E esse risco é o de não permitir que a melancolia se transforme em comiseração, temperando com raiva quanto baste os nervos da tristeza. Uma óptima companhia para os dias que atravessamos.

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