segunda-feira, 21 de novembro de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #32



Brian Eno deve ter sido a referência mais citada nesta lista. Não é por acaso. Recordemos Music For Films (1978), uma recolha que o tempo poderia ter transformado em música para elevadores. Não foi o que sucedeu. Rodeado de nomes como Phil Collins (percussões), Fred Frith e Robert Fripp (guitarras) ou John Cale, Eno outorgou ao futuro uma lição de bom gosto. Estes temas são aquilo que os filmes reclamam, obviamente, mas não se cingem a uma mera função decorativa, como quem contorna os traços delineados pelo artista original. Das breves composições aqui expostas ressaltam paisagens imaginárias cuja vivacidade é de uma clareza impressionante, mais ainda se tivermos em conta o carácter fragmentário dos temas. Podemos fechar os olhos e deixar que o ar nos penetre pelos ouvidos, o tímpano transformar-se-á na íris da imaginação. No tema Slow Water, por exemplo, a guitarra de Robert Fripp (King Crimson) transporta-nos para ambientes flutuantes próximos de um estado hipnótico. A raiz electrónica que dita as regras, numa precursora atitude vanguardista, pode levar-nos a questionar a orgânica dos temas numa música essencialmente plástica. No entanto, a actualidade prova que as experiências sonoras levadas a cabo em temas como ‘There is Nobody’ ou Patrolling Wire Borders são água em estado gasoso. Um falso nevoeiro.

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