terça-feira, 29 de novembro de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #33





Ao contrário do que o nome indica, os Chicago Underground Duo não são propriamente um duo. Pelo menos não o são de uma forma estanque e definida. Ao longo dos anos têm experimentado diversas formações e a designação do projecto foi acompanhando as respectivas metamorfoses. Em 12º of Freedom (1997) encontramos os dois elementos fundadores da banda − Rob Mazurek (sopros) e Chad Taylor (percussões) −, mas também o guitarrista Jeff Parker. Todos eles serão mais conhecidos pelas participações em bandas tais como os Tortoise, agrupamento de post-rock filiado na editora Thrill Jockey, pese embora a reputação conquistada nos domínios do free jazz. Este álbum, que, se bem sei, é o primeiro da banda, aproxima-se mais desse registo do que de outra encarnação qualquer. O tema January 15th ainda se aventura numa espécie de post-hard-bop com linhas melódicas e rítmicas identificáveis, mas a generalidade dos temas resulta de improvisações sem qualquer preocupação formal. Foi assim definida esta aventura pelos implicados: “an organic mixture of African, Electronic, Coloristic, Jazz influenced life supporting systematic, non-systematic feeling from two humans trying ever to expand outward and inward for the people and ourselves.” Como um filme sem história ou um livro sem narrativa, estamos no campo da pura exploração poética. As histórias e as narrativas aparecem implícitas nas frases, nos gestos repentinos, súbitos, nos ritmos alternados, no diálogo mantido para lá dos círculos delimitadores da emissão-recepção e da causa-efeito. No entanto, aqui e acolá, conseguimos construir paisagens a partir das notas que nos chegam como quem pára para escutar as ressonâncias do silêncio. Compreende-se alguma resistência a este tipo de som, que não nasce para ser massificado nem reclama um público generalista. A maioria das pessoas caminha sem reparar nas pedras que pontapeia pelo caminho. Apenas uma pequena minoria repara nesses ínfimos retiros de matéria que, afinal de contas, são uma extensão de nós próprios. Portanto, esta é música para aqueles que reparam. Não é música para quem pretenda apenas distrair-se.

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