sábado, 17 de dezembro de 2011

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #38





Aderi a um grupo do Facebook onde é suposto escolhermos imagens relacionadas com um tema específico. O tema é sugerido pelos mentores do grupo. Esta semana — que ameaça terminar sem que tivéssemos sequer dado pelo começo — o tema foi Vícios. Podia escolher este álbum de Elvis Costello para ilustrar os meus vícios, todos eles. North apareceu em 2003, mais de 25 anos após a estreia a solo do singer/songwriter britânico. O tempo fez-lhe o que faz às pessoas normais, empurrou-o de uma atitude punk para o fosso das almas apaixonadas. As canções de North evocam relações amorosas complexas, sonhos desfeitos, corações despedaçados, alguma esperança ao fundo de um túnel nostálgico e melancólico. Têm aquele sentimentalismo cinzento dos grandes escritores de canções e caminham por vielas jazzísticas em registo quase minimalista, por vezes acompanhadas por arranjos de cordas românticos, como quem anda à chuva sem se molhar. Algumas letras desarmam-nos com a sua simplicidade. Eis um exemplo:

WHEN DID I STOP DREAMING?

You appeared when I was lost in reverie
If this is not a dream, it’s my mistake
And now I lie in wait for dawn to break
I’m fairly sure I’m wide awake

Pardon me, if I seem distant and strange
Just tell me when did I stop dreaming?
Let me get this straight
Did I hallucinate?
This fine and helpless feeling
Tell me when did I stop dreaming?


(…)

São apenas duas estrofes de cinco que marcam o ritmo comum a todo o álbum, canções declaradamente de amor onde os violoncelos perseguem o piano como a sombra persegue a carne. O ambiente geral pode evocar os musicais norte-americanos, as baladas de George Gershwin ou mesmo a simplicidade do chamado easy listening, mas logram amiúde um dramatismo muito mais complexo (escute-se atentamente uma canção como Can You be True?). Digamos que nos comovem e convencem pela sua inquestionável cultura clássica, em arranjos modernos que provam ser universal e intemporal a matéria do coração. A um amor segue-se outro amor, a este amor segue-se a vida, à vida segue-se a morte. Perduram as canções, os poemas, as imagens que a memória vai retendo nas redes do esquecimento. E o último tema (ou quase) é luminoso, deveras luminoso: I'm In the Mood Again...

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