JG - Já fiz a experiência de fumar uma erva, uma erva especial, hilariante e o que acontece de extraordinário com essa erva hilariante é que tudo o que se vê, se toca, de que se toma consciência, etc., é motivo de riso, ri-se quatro horas seguidas. Um homem...
AG - Como pode acontecer num certo estado de embriaguez?
JG - Essa experiência é de facto como uma embriaguez, porque era evidente que as pessoas não riam, riam-se os que tinham inalado essa erva. Como é que era possível que tudo tivesse humor aí? É que não era ironia, tudo era motivo de riso.
AG - Essa erva atinge o inconsciente.
AG - Como pode acontecer num certo estado de embriaguez?
JG - Essa experiência é de facto como uma embriaguez, porque era evidente que as pessoas não riam, riam-se os que tinham inalado essa erva. Como é que era possível que tudo tivesse humor aí? É que não era ironia, tudo era motivo de riso.
AG - Essa erva atinge o inconsciente.
JG - Atinge qualquer coisa no inconsciente, é extraordinário, se as coisas não fossem risíveis, se não houvesse um risível global do mundo, não era possível.
AG - Com a noção de risível estás a introduzir Bergson.José Gil e Ana Godinho, in O Humor e a Lógica dos Objectos de Duchamp, Relógio d'Água, Maio de 2011, p. 117.
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