segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #40





Entre a coisa musical vinda às mãos deste que vos escreve nos últimos anos, a Akron/Family foi provavelmente a mais apaixonantes de todas. Akron parece nome de planeta desconhecido, mas é o nome de várias localidades na América do Norte. É provável que provenha, como tantas vezes acontece, da toponomástica índia. Não admiraria. Muito da música produzida pela Akron/Family remete para os rituais indígenas, com suas melodias guturais e ritmos hipnóticos. Em certo sentido recuperam o espírito psicadélico dos setentas e a filosofia libertária vinda dos sessentas, promovendo a paz e o amor universais, com doses consideráveis de sexo e drogas recreativas quanto baste a servirem de rede a uma realidade decadente e a um mundo em vertiginoso declínio. Amai-vos uns aos outros, até porque Love Is Simple (2007). Por entre a paisagem intrometem-se guitarras eléctricas a marcar o balanço à desbunda lírica e, por vezes, alucinada, e a gente imagina um grupo de gente nua aos pulos na praia, em torno de uma fogueira, com charro no canto da boca e garrafa de vinho na mão. Terapia agradável para os dias correntes, com instrumentos acústicos embalando grilos na noite estrelada: «September nights, when the dusk calls us outside / Crickets sing songs to bury the sunshine / And all we see is made of moonlight». Que mais pode pedir um homem? Contra a corrente urbana e depressiva em vigor há mais tempo do que seria desejável, a Akron/Family relativiza e adopta uma postura mais ecléctica que nunca ao quarto álbum. Ouço-o muitas vezes, mais que não seja para me esquecer de que existo.

Sem comentários: