sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #41





O conceito de música alternativa (mais rock menos pop) é deveras discutível. O alternativo é sempre alternativo em relação a alguma coisa, pelo que podemos dizer que Mozart é alternativo aos Broadcast. Oriundos de Birmingham, viram-se os últimos incluídos em rótulos bem mais rebuscados como, a título de exemplo, o de space age pop. Trata-se de uma música que pode ser caracterizada pelos elementos respigados nas fontes: do psicadelismo onírico de uns primeiros Pink Floyd ao rock’n’roll urbano- decadentista de uns The Velvet Underground. Muitas vezes comparados aos Stereolab, os Broadcast nunca almejaram o mesmo culto. Não é que o mereçam, mas The Noise Made by People (2000) é um álbum com uma atmosfera suficientemente cativante para constar nesta lista particular. Que eu saiba, foi a primeira longa-metragem realizada pelo grupo inglês. O início é claramente velvetiano, embora com uma dose adicional de sofisticação injectada pelo progresso tecnológico e consequentes possibilidades de manipulação sonora. Ao segundo tema já estamos a levitar, caminhamos como que sobre nuvens alheados da terra e com a imaginação num indefinível tempo futuro. É uma música que nos ajuda a sobreviver em tempos de angústias diversas, embora não nos aliene daquela melancolia a que nos habituámos como a um dono se habitua cão domesticado. Pelo meio há alguns instrumentais a fazer-nos tremer de sonhos, associações e analogias indizíveis, e há também uma canção, intitulada Come On Let’s Go, capaz de passar em qualquer rádio com um mínimo de bom gosto. Pode tornar-se viciante, esta coisa de andarmos constantemente à procura da intimidade do nosso rosto na superficialidade dos rostos alheios. Mas quando tal acontece, é como injectar heroína nas veias: fica-se extasiado de dormência.

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