Colaboram no n.º 007 (Novembro de 2011) da revista Piolho, dedicado à crítica, os autores Rodrigo Miragaia, Amândio Reis, A. Dasilva O., Humberto Rocha, Rui Tinoco, Rui Azevedo Ribeiro, Pedro Jofre, Francisco Félix, Hugo Pinto Santos, Ricardo Marques, Nuno Brito, Pedro S. Martins, Fernando Esteves Pinto, Henrique Manuel Bento Fialho, Maria Conceição Caleiro, Sylvia Beirute, A. Pedro Ribeiro, António S. Oliveira, Ricardo Marques, Sérgio Almeida, Carlos Nogueira e Sílvia C. Silva com versões de poemas do belga Renée Brock (1912-1980). A coordenação ficou a cargo de Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho, Fernando Guerreiro e A. Dasilva O., numa edição conjunta das Edições Mortas e da Black Sun Editores. Deixo as primeiras linhas do meu humilde contributo:
NORMALMENTE LAVO AS MÃOS ANTES E DEPOIS DE ESCREVER
Apontamento para um ensaio sobre a poesia de Nuno Moura
Conforme informação recolhida numa das badanas de Soluções do Problema Anterior (&etc., Abril de 1996), Nuno Moura nasceu em Lisboa no ano de 1970. Na mesma nota biográfica informa-nos Vítor Silva Tavares que o poeta foi «instrutor de natação, pai de filho a págs. 78, sócio do Meninos bar do Bairro Alto, tarefeiro num clube de vídeo, copygaitas de felicidades». Além do volume supracitado, tem Nuno Moura neste momento editados mais quatro livros. Estreou-se com Não Saia Nem Entre Após Aviso de Fecho de Portas (Eurosigno Publicações, Lda., 1993), ao qual se seguiram Nova Asmática Portuguesa (Mariposa Azual, Agosto de 1998), Os Livros de Hélice Fronteira, Regina Neri, Vasquinho Dasse, Ivo Longomel, Adraar Bous, Robes Rosa, Estêvão Corte e Alexandre Singleton (idem, Abril de 2000) e Calendário das Dificuldades Diárias (&etc., Setembro de 2002). Estando anunciado para breve o regresso à publicação em nome individual, parece-nos pertinente revisitar uma das vozes poéticas mais originais do contemporâneo cardápio luso. Poeta pouco dado a corporações e avesso a destacáveis, seria demasiado exigi-lo no panteão dos chamados novíssimos. Por incredulidade, desconfiança ou miopia (inclinamo-nos para a última das hipóteses), apenas Manuel de Freitas se atreveu a incluí-lo numa antologia, a famigerada recolha dos Poetas Sem Qualidades (Averno, Novembro de 2002). “Pueta” perturbador e de perturbações, parece-nos credível a leitura introduzida pelo editor, ensaísta e peota de Freitas: «uma poesia de encontros inesperados». A poesia de Nuno Moura ergueu os seus alicerces numa atitude que é, ao mesmo tempo, uma inclinação natural do poeta-pessoa e pura manipulação da linguagem.
(…)
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