sábado, 14 de janeiro de 2012

UM MAPA EM EXPANSÃO

Qualquer coisa não bate certo no artigo de Maria da Conceição Caleiro, dedicado à edição de poesia, publicado ontem no Ípsilon. Reparamos que a “comunidade” se mantém praticamente a mesma desde há quatro anos, quando foi publicado um artigo de Luís Miguel Queirós sobre a nova poesia portuguesa no mesmo suplemento. Ora, como é possível falar de expansão em comunidades ensimesmadas? Ainda que demorem muito a escolher o papel e andem “feitos mulas nos seus carros” (sic) , os pequenos e médios e nano editores continuam a expandir-se na modesta ordem dos 100 (ou menos) a 300 exemplares com direito a devolução ou sem direito a reedição (salvo raríssimas excepções). Feitas as contas, podemos afirmar, não sem pesar, que a expansão se resume a isto: num universo de 300 almas podemos encontrar 30 espíritos empreendedores que permutam edições, recensões e elogios em espírito comunitário deveras saudável e amistoso com direito a paróquia lisboeta. Portanto, um micro retrato do estado expansivo, mas deveras centralizado, da nação.

1 comentário:

Anónimo disse...

Isso é tão mentira quanto o simples facto de muitas dessas almas, além de não serem oriundas de Lisboa, nem sequer habitarem em Lisboa.

O facto de quem empreende essas aventuras editoriais estar mais concentrado em Lisboa deve ser encarado como normal - afinal de contas, é onde se concentram todas as outras áreas.

Permutarem edições é, no mínimo, saudável. Assim como um sentiudo de comunidade, onde só não se sente bem-vindo quem não quer e quem se auto-exclui.