quarta-feira, 21 de março de 2012

TARZAN DOS MACACOS





Quando Jane chegou a África já Tarzan se tinha afastado da tribo de macacos. Passava quase todo o seu tempo, em paz e solidão, na cabana onde havia nascido. Aprendera a escrever observando os livros que seu malogrado pai lhe deixara de herança. Esses objectos simbolizam, na vida de Tarzan, um elo inquebrável com o chamado mundo civilizado, um mundo de fato e gravata, talher na mão, carne cozinhada e muitas manigâncias com consequências mais ou menos funestas. Por esses dias, ao aventurar-se na selva, travava-se de razões com Terkoz, um macaco rebelde, e os temíveis indígenas de pele escura, canibais contagiados pela superstição. Quando avistou pela primeira vez homens de pele branca, Tarzan ficou intrigado - mais ainda por não ter sido agradável a situação presenciada: um assassinato. O encontro com Jane foi, por isso, o encontro com uma pureza ideal. É curioso verificar que o nosso herói é fisicamente imbatível, de uma inteligência incomparável, mas estupidamente melodramático nos desconhecidos assuntos do coração. O ridículo atinge o êxtase quando Tarzan escreve uma mensagem à sua deusa de cabelo dourado: «Quero-te… Sou teu… Tarzan dos Macacos ama-te». Esta irritante associação do amor a uma cedência do ser é tipicamente humana, burguesa, ocidental. Seria impensável, ou pelo menos improvável, numa criatura criada entre macacos, no meio da selva, onde o amor outra coisa não é senão protecção e luta pela sobrevivência. Mas Burroughs não foi parvo de todo, e a adaptação aos quadradinhos fez-lhe justiça. Os episódios que se seguem fazem de Tarzan uma autêntica personagem shakespeariana, capaz de se sacrificar para pôr a sua amada a salvo de horrendas ameaçadas. Só numa obra de ficção é que Tarzan poderia conter-se depois do primeiro beijo de Jane. Mais uma vez, a sua costela humana hegemoniza o esqueleto selvagem. Tarzan contém-se, não reage negativamente às hesitações de Jane, não lhe salta para cima à macaco, comporta-se como um verdadeiro galã de tanga e descalço. A história de Tarzan é, pois, a história de um selvagem que descobre o amor. Porém, o que a torna especial é o remate ainda hoje difícil de classificar. Tarzan salva da fúria canibal o Tenente d’Arnot, que andava à procura de Jane através do emaranhado da selva. Tornam-se amigos. D’Arnot ensina Tarzan a falar francês, introdu-lo nas regras e condutas da civilização, ajuda-o a descobrir a sua identidade, transforma o Tarzan dos Macacos num Monsieur Tarzan, domestica-o, leva-o ao encontro de Jane até Paris e de Paris até à América… Só o remate final finta a consequência óbvia da narrativa. Tarzan abdica de Jane e regressa a África, ao seu lar, depois de ter descoberto o amor, depois de ter ido ao seu encontro, depois de ter percebido que isso não era suficiente para ser feliz. Mais do que estar com o seu amor, era fundamental, para Tarzan, sentir-se em casa. E a sua casa era a selva onde crescera e se desenvolvera entre macacos. Talvez exista aqui uma fé radical no poder das origens, uma subscrição da teoria segundo a qual o meio faz o homem e toda a personalidade se desenvolve em função desse meio. Talvez esteja aqui a negação de um desenvolvimento em ruptura com a natureza. Ou talvez não seja nada disto e a história de Tarzan não passe de uma vulgar noveleta popular. A verdade é que nos interpela e obriga a repensar, na actualidade, os veios da razoabilidade com que vamos conduzindo as nossas vidinhas. Estaríamos nós melhor se não tivéssemos saído de onde viemos? Um lar constrói-se, conquista-se ou cultiva-se? Somos o que herdamos ou o que conquistamos? No livro de contas da vida, Tarzan tem um lugar especial não pela coragem nem pelo equilibrismo, não pelo poder que exerce sobre os animais nem pela mestria demonstrada nos domínios da floresta, mas pelo que nele há de humano e selvagem em proporções tão equilibradas que ambas parecem confundir-se e ser uma só.

1 comentário:

gogol de kapote disse...

Quando Jane chegou a África já Tarzan se tinha afastado da tribo...logo antropo dos dytos macacos...o escrivente vê o bando como uma tribo e logo humanizável

Passava quase todo o seu tempo, em paz e solidão...pax e solidão com um frigorífico ao lado... na cabana onde havia nascido...resistente a 2000 litros de chuva por ano e anti-fúngica...e sem térmitas

Aprendera a escrever observando os livros que seu malogrado pai lhe deixara de herança....as heranças já não eram o que são


Esses objectos simbolizam, na vida de Tarzan, um elo inquebrável .....inamovível e imperecível e elo inox de inoxidável

com o chamado mundo civilizado, um mundo de fato e gravata....

talher na mão, carne cozinhada e muitas manigâncias com consequências mais ou menos funestas?

Por esses dias, ao aventurar-se na selva, travava-se de razões com Terkoz...até os macacos tinham nome terkoz veloz pikoz mais ó menos como os pókemons... um macaco rebelde, e os temíveis indígenas de pele escuros ...niggers man... canibais contagiados pela supers tição....isto de usar analogias ou são hipérboles pronto eram mesmo muito pretos...

Quando avistou pela primeira vez homens de pele branca, Tarzan ficou intrigado - mais ainda por não ter sido agradável a situação presenciada: um assassinato?
nã foi eutanásia?

O encontro com Jane foi, por isso, o encontro com uma pureza ideal....ou seja uma macaca pouco montada ao contrário da restante famelga

É curioso verificar que o nosso herói(nosso...eu cá prefiro a Jane...aFonda nã puque afunda) é fisicamente imbatível, de uma inteligência incomparável,

é tudo in ou im...


mas estupidamente melodramático nos desconhecidos assuntos do coração. O ridículo atinge o êxtase....o ridículo dá êxtases....nice

quando Tarzan escreve uma mensagem à sua deusa de cabelo dourado: «Quero-te… Sou teu… Tarzan dos Macacos ama-te»....se assinava tarzan dos macacos tira um pouco a tesão à jane...ao menos escrevia bem em português ou angolano...


Esta irritante associação do amor a uma cedência do ser...
isto é economicista à brava

é tipicamente humana, burguesa, ocidental....ou seja os chinocas nã sã humanos...tamém me parecia

atão é tipicamente hu mana ou não

se é burguesa os campesinos são sub-humanos?


Seria impensável, ou pelo menos improvável, numa criatura criada entre macacos, no meio da selva, onde o amor outra coisa não é senão protecção e luta pela sobrevivênci....é?
im im...