quarta-feira, 30 de maio de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #54





A primeira metade da década de 1990 presenteou-nos com dois universos, não necessariamente paralelos, no que à música popular diz respeito. De um lado, as guitarras eléctricas e o revivalismo punk dos Nirvana & Cª. Era preciso encontrar um nome para aquilo, chamou-se-lhe grunge. Do outro lado, as programações electrónicas, os samplers, as colagens, numa desconstrução inteligente do hip-hop. Chamou-se-lhe trip-hop, género que tanto podia agradar a urbano depressivos, nascidos e criados sob as nuvens cinzentas dos Joy Division, como aos mais conservadores adeptos das rimas. O trip-hop era ao mesmo tempo melancólico e revolucionário, inovava no uso das caixas de ritmos e na forma de construir canções a partir de colagens elípticas e estilhaçadas. Entre os nomes mais consistentes associáveis à seita, encontramos o de Tricky. Após breve colaboração com os Massive Attack, apareceu a solo, e com estrondo, no ano de 1995. Maxinquaye, o álbum de estreia, ficou para a história como um dos melhores momentos da música popular no final do séc. XX. No entanto, a prolixidade desta complicada alma criativa brindou-nos, logo de seguida, com um álbum-projecto-isolado intitulado Nearly God, em muitos aspectos superior a qualquer um dos registos em nome individual do artista. O álbum está recheado de colaborações sonantes, de Terry Hall a Björk, de Neneh Cherry a Alison Moyet. Álbum de demos, assim ficou conhecido, com uma porta aberta para um estranho, sedutor e ambíguo mundo. Uma teia de sons sobrepostos, ora cadenciados por um baixo dengoso, ora dirigidos por ritmos demorados. O primeiro tema é uma versão quase irreconhecível de Tattoo, dos Siouxsie & the Banshees. O último antecipa Yoga, de Björk. Entre o primeiro e o último, há vários momentos que permitem ligar as duas margens como se houvesse ali uma intenção deliberada de criar pontes e transpor barreiras. Em certo sentido, outra coisa não tem feito o génio criativo de Tricky.

3 comentários:

manuel a. domingos disse...

catrapum!

hmbf disse...

Isso quer dizer o quê, pá?

manuel a. domingos disse...

quer dizer que é um álbum do caraças! é um álbum catrapum!