quarta-feira, 30 de maio de 2012

MIGUEL REAL SOBRE MICRONARRATIVA


Nos últimos anos do século passado e nos primeiros do nosso século, enquanto a prática do conto prosseguia gerando novos autores de qualidade (Mário de Carvalho, Luísa Costa Gomes, António Vieira, Maria Antonieta Preto...), o microconto (uma, duas, três páginas) e o nanocanto (três, quatro, cinco linhas, um parágrafo) irrompem de um modo brutal em Portugal, numa verdadeira explosão de autores, sobretudo de jovens autores, geograficamente dispersos, não possuindo ideologia estética comum.
Este movimento literário espontâneo encontra uma âncora estética comum (com exceções, sobretudo Adília Lopes) na dramaticidade expressiva do texto breve, na desvelação do sentido absurdo do mundo narrado através de um pequeno exemplo, uma espécie de pungência por que o autor, comovido, evidencia a adversidade geral da existência. Henrique Manuel Bento Fialho (Estória Domésticas, 2006; Estranhas Criaturas, 2009) é, talvez, o autor mais exemplificativo do estado atual desta vertente da microficção portuguesa.

Miguel Real, in Jornal de Letras, 30 de Maio de 2012.

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