quarta-feira, 20 de junho de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #57


Podemos agradecer ao fotógrafo Guy Le Querec a junção do trio Romano (Aldo), Sclavis (Louis), Texier (Henri). Carnet de Routes foi o resultado de uma digressão por seis países da África Central, em busca das raízes do jazz ou, por outro lado, na demanda de um reencontro que importava patrocinar. Toda a gente sabe das origens desta música, rebentada num terreno fertilizado pela junção do ritmo com a improvisação. As fotografias que acompanham o álbum, gravado entre 1994 e 1995, depois de duas tournées, em 1990 e 1993, dão conta de uma extraordinária aventura humana. E a música faz-lhe justiça, respigando sonoridades encontradas por caminhos que provam ser esta arte o elemento essencial da humanidade. Porque a partir dela as imagens explodem sem que seja necessário representar, a dança começa como uma espécie de respiração que acompanha a língua(gem), a poesia medra nessas reclinações do corpo e torna-se expressão máxima do indizível. Fala-se, a páginas tantas, de jam sessions mágicas. Somos levados a acreditar na descrição ao vermos os músicos franceses, excelentes como nunca, actuando para as endoidecidas tribos da República Centro-Africana ou acompanhados pelos djembés do Mali ou em puro êxtase espiritual na República Popular do Congo… Os temas posteriormente registados em estúdio foram desbravados, mas quem os desbravou soube guardar as cicatrizes colhidas pelo caminho. Tive o prazer de assistir a um concerto do trio, salvo erro, no Seixal. Só faltou a Leica, quinto instrumento de um trio branco onde a bateria, o contrabaixo, o clarinete e o saxofone soprano chegaram e sobraram para provar não ser inautêntico o sopro da magia negra.

2 comentários:

je suis...noir disse...

Não tem nada a ver com este post...
Mas então, não está aqui "a equipa"?! E eu que vinha dizer: Sporting!!!

Eu só venho dizer coisas inteligentes!:(

hmbf disse...

vou deixar isso para o fim do euro. ontem a emoção falou mais alto. hoje é o cansaço a tomar conta da voz. inté.