
Vi os Radiohead há uns bons anos, no Pavilhão dos Belenenses, a fazerem a primeira parte dos James. Experiência extraordinária, as paredes do pavilhão pareciam suar. Voltei a vê-los no Coliseu, já na fase
Ok Computer (1997), e acabei o concerto com a sensação de ter tido uma epifania. Os Radiohead nunca foram uma banda
rock vulgar. Isso deve-se, em parte, à extraordinária voz de Thom Yorke. Mas não só. Há ali uma sabedoria musical que ultrapassa o imediatismo dos três acordes. Convém notar que
Creep, o single de
Pablo Honey (1993) que lhes ofereceu uma popularidade vertiginosa, continha já o gérmen de um universo autocrítico bastante diferenciador.
Paranoid Android, o
single de promoção desta terceira aventura pelos álbuns de originais, ultrapassava o tempo médio de uma canção congénere. Ainda por cima é um tema estruturalmente ousado, contendo num só corpo três metamorfoses rítmicas e melódicas com a coerência de um monstro divino.
Exit Music (for a film) – canção de uma vida – e
Karma Police fizeram o resto, transformando
Ok Computer numa obra-prima do
rock vindo a lume na última década do século XX. É tudo perfeito, as melodias erguidas a um patamar etéreo sem par, a melancolia passeando-se ligeiramente por entre os canaviais de guitarras distorcidas, os efeitos futuristas remetendo para aviões levantando voo e naves espaciais transportando-nos para universos paralelos de romantismo e nostalgia. Por vezes, parece
rock progressivo; a espaços, podemos falar de
post-rock; mas é sempre, a cada segundo, uma explosão de musicalidade que Bach não descuraria. Se há que ter medo da perfeição,
Ok Computer é um susto dos piores.
1 comentário:
Também estive nesse em Belém e, apesar de não gostar muito das feiras que são os festivais, vou dia 15 vê-los.
Um susto tão grande que ainda não me refiz e retorno amiúde :)
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