segunda-feira, 9 de julho de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #59

Vi os Radiohead há uns bons anos, no Pavilhão dos Belenenses, a fazerem a primeira parte dos James. Experiência extraordinária, as paredes do pavilhão pareciam suar. Voltei a vê-los no Coliseu, já na fase Ok Computer (1997), e acabei o concerto com a sensação de ter tido uma epifania. Os Radiohead nunca foram uma banda rock vulgar. Isso deve-se, em parte, à extraordinária voz de Thom Yorke. Mas não só. Há ali uma sabedoria musical que ultrapassa o imediatismo dos três acordes. Convém notar que Creep, o single de Pablo Honey (1993) que lhes ofereceu uma popularidade vertiginosa, continha já o gérmen de um universo autocrítico bastante diferenciador. Paranoid Android, o single de promoção desta terceira aventura pelos álbuns de originais, ultrapassava o tempo médio de uma canção congénere. Ainda por cima é um tema estruturalmente ousado, contendo num só corpo três metamorfoses rítmicas e melódicas com a coerência de um monstro divino. Exit Music (for a film) – canção de uma vida – e Karma Police fizeram o resto, transformando Ok Computer numa obra-prima do rock vindo a lume na última década do século XX. É tudo perfeito, as melodias erguidas a um patamar etéreo sem par, a melancolia passeando-se ligeiramente por entre os canaviais de guitarras distorcidas, os efeitos futuristas remetendo para aviões levantando voo e naves espaciais transportando-nos para universos paralelos de romantismo e nostalgia. Por vezes, parece rock progressivo; a espaços, podemos falar de post-rock; mas é sempre, a cada segundo, uma explosão de musicalidade que Bach não descuraria. Se há que ter medo da perfeição, Ok Computer é um susto dos piores.

1 comentário:

jp disse...

Também estive nesse em Belém e, apesar de não gostar muito das feiras que são os festivais, vou dia 15 vê-los.
Um susto tão grande que ainda não me refiz e retorno amiúde :)