segunda-feira, 30 de julho de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #61





Em 2006, a melhor banda de post-rock juntou-se ao melhor escritor de canções da actualidade para fazer um álbum de versões: The Brave and The Bold (2006). Os Tortoise, para quem não saiba, são oriundos de Chicago e reúnem músicos excepcionais como Dan Bitney, John Herndon, Douglas McCombs, John McEntire, entre outros. Compõem uma música ecléctica alicerçada numa formação jazzística sólida, que mistura elementos de krautrock com experiências minimalistas. Millions Now Living Will Never Die (1996) é uma obra-prima. Já Bonnie ‘Prince’ Billy, talvez o mais relevante dos muitos alter-egos de Will Oldham, é um escritor de canções nascido em Louisville que começou por dar nas vistas pela mais genuína das razões: canções descarnadas, numa voz sofrível mas suficientemente sofrida para ser convincente, melodias despretensiosas sob influência do melhor que a música country nos ofereceu. É o Bob Dylan do futuro ainda antes de Dylan ser passado. The Brave and The Bold junta, deste modo, aqueles de quem esperamos o melhor. Quando apareceu, não excitou os fãs. (Re)escutado agora, vezes sem conta, seis anos depois, soa-nos a algo de muito especial. Há versões com arranjos claramente concebidos à medida de Will Oldham: Thunder Road (Bruce Springsteen), Some Say (I Got Devil) (Melanie) e Calvary Cross (Richard Thompson) resultam na perfeição. Não é exagero considerar que, em alguns casos, melhor que nos originais. E há igualmente doses generosas de experiências rítmicas e melódicas que resgatam os temas da banalidade conferida pelo tempo, arranjos onde a electrónica se sintoniza com o rock em registos que ajudam velhas canções a ressuscitar com máscaras respeitadoras do rosto escondido por detrás. Dois momentos a sublinhar: Will Oldham a cantar em português Cravo e Canela e o tema Pancho, de Don Williams, numa interpretação simplesmente espantosa.

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