terça-feira, 7 de agosto de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #62





Não me recordo quando foi e não vou confirmá-lo, mas deve ter sido pouco depois de Hand On The Torch (1993) aparecer: José Duarte gerou discussão com a inclusão dos Us3 numa colectânea de Jazz. Torceram o nariz, como sempre fazem, aqueles que desconfiam de gestos ousados onde o risco da decência é pisado sem solicitações, algo que me inflaciona a vontade de torcer ainda mais o nariz dos ditos. O purista é aquele tipo de gajo que não fode nem deixa foder, pelo que não vale a pena perder tempo a tentar enfiar-lhe na cabeça o que quer que seja. Ele não tem cabeça, é fruto da imaculada concepção. Os Us3 fizeram-nos falar de acid jazz, que é como quem cozinha uma salada à base de standards da melhor música do mundo (também tenho os meus argumentos) e os mistura com o tempero da modernidade. Trata-se, antes de mais, de um trabalho de manipulação. A electrónica confere a temperatura ideal à repescagem e o rap apimenta as “velhas malhas” de Herbie Hancock, Art Blakey, Thelonious Monk, entre tantos outros que a Blue Note consagrou, gerando estímulos irresistíveis à mais nobre das acções, isto é, a dança. Rahsaan, Tukka Yoot, Kobie Powell, os rappers de serviço, dialogam lindamente com os mestres, debitam versos sobre samples facilmente reconhecíveis, fazem-se acompanhar de músicos excepcionais (a guitarra de Tony Remy, em I Go To Work, nada fica a dever ao Grant Green de Tukka Yoot’s Riddim), são mestres de cerimónia sem qualquer tipo de formalidade. Resta dizer que os Us3 foram, na origem, a dupla Geoff Wilkinson e Mel Simpson.

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