quinta-feira, 16 de agosto de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #63





Com os The Velvet Underground não é para menos, vai a integral. Esta caixa compõe-se de 5 CDs. O primeiro revela a banda de Lou Reed e John Cale em estado bruto, meia dúzia de gravações caseiras efectuadas, em 1965, no apartamento de Cale. Registos rudimentares, com sucessivos takes para a mesma canção, entre risadas e ruídos acidentais, numa tentativa de compor o que veio a resultar em The Velvet Underground and Nico (1967) – o segundo CD. O terceiro, além de mais demos, tem White Light/White Heat (1968), o quarto reproduz o álbum homónimo de 1969 e, por fim, o quinto CD da caixa oferece o quarto e enigmático "longplay" dos The Velvet Underground: Loaded (1970). Na realidade, este é praticamente Lou Reed a solo. Os The Velvet Underground são inimagináveis fora do contexto nova-iorquino. Quando surgiram, houve quem falasse de histeria, casamentos improváveis entre Bob Dylan e Marquês de Sade, a poesia de Baudelaire embrulhada em muito ruído, violinos delirantes, jam sessions que podiam estender um tema para lá do suportável. A verdade é que o tempo fez deles, muito provavelmente, a mais influente banda de rock de todos os tempos. Curioso é que tenham emergido no covil da pop-art escavado por Andy Warhol. De pop, só têm a simplicidade das composições. Mas mesmo nesse domínio há uma urbanidade na abordagem rítmica que transforma sequências básicas de acordes em férteis terrenos melódicos. Cale dizia que eram anarquistas com coração, Lou falava da intenção deliberada de provocar desconforto. Por cá, julgamos tratar-se da luz nocturna olhada através de óculos de sol. O tempo tem destas coisas, transforma o ruído em notas, o chinfrim em melodia. E mesmo que não nos habituemos às festas de vergasta e mascarilha, os efeitos da heroína são contagiantes.