domingo, 5 de agosto de 2012

EL CAMINO

Olho para os cartazes dos festivais de Verão e sinto-me ignorante. Desconheço 80% dos nomes anunciados com estardalhaço. Não admira. A música pop deixou de me entusiasmar e a última banda de rock a arrancar-me de casa para um concerto foram os Franz Ferdinand (Campo Pequeno, 2009). Também não tenho comprado CDs balizáveis entre esses dois pilares da música dita popular. A excepção, para já, é El Camino dos The Black Keys. Oriundos de Akron, no Ohio, praticam um rock de guitarras competente, não tão cru como o dos The White Stripes nem tão elaborado como o dos The Fiery Furnaces. Algumas canções respigam as malhas de um rock’n’roll tradicional, outras vão beber à soul music uma componente melódica altamente contagiante. O problema está em que, passados tantos anos sobre a invenção do rock, ser competente já não chega. São cada vez menos as bandas que conseguem escapar ao déjà vu, ainda que resultem lindamente quando pretendemos desenfastiar da melancolia. Não sendo mau, el camino terá de ser outro:








P.S.: Lembrei-me agora de que também fui ver The Jon Spencer Blues Explosion em Março passado. E olha que cartaz tão interessante para ignorantes como eu: The Black Keys, The Fiery Furnaces, The Jon Spencer Blues Explosion e The White Stripes (ressuscitados para um concerto único em Portugal).

6 comentários:

alexandra g. disse...

caro Henrique,

e se alguém num assomo de coragem me chamasse asna por não conhecer um único dos que menciona posso garantir-lhe que, das duas, uma, ou levava um murro nas ventas, ou com o meu melhor assomo de desprezo.

espero que, não obstante a minha empreendora ignorância das cousas novas, entenda agora o respeito que nutro desde longa data pelos seus netos :)

hmbf disse...

Estimada Alexandra, fico-lhe grato pelo programa delineado para a educação dos meus netos: «Morreu a Chavela Vargas e as capas das revistas mais vendidas anunciam a nova intervenção cirúrgica a que se submeteu a pobre Cinha Jardim.» Viva a pós-modernidade!

alexandra g. disse...

«Fui comprar cigarros.»

E os tomos que isto dava, pela História da Literatura, da Música, de todalas Artes adentro?

hmbf disse...

Penso nisso sempre que vou comprar cigarros. Nisso e se a máquina aceita moedas de dois cêntimos.

alexandra g. disse...

A caixinha ATM também não lhe fornece € 5,00, ainda que (só) os tenha na conta bancária.

Putedo.

hmbf disse...

Do piorio.