sábado, 4 de agosto de 2012

TELMO

No prédio amarelo, a cerca de 50 metros do meu prédio, uma mulher gritava à janela: OH TELMO! As letras garrafais pretendem exprimir o inexprimível, tal era o volume, a aflição, a gritaria. OH TELLLLLLLLLLMO! Levantei-me da cama, onde estava a ler Ovídio, e fui à janela. Acendi um cigarro e apreciei a cena. A mulher à janela continuava a gritar, em intervalos de cerca de 5 segundos, OH TELLLLLLLLLMO! Enquanto fumava o cigarro, olhei a praça, os edifícios, o pinhal que fica do lado direito, e avistei o Telmo com uma amiguinha atrás do prédio amarelo. Estavam a brincar e ignoravam por completo o chamamento. A mulher continuava: OH TELLLLLLLLLLLLLLLLLMO! Fazia-o num volume cada vez mais estridente e insuportável. Até que, farto de a ouvir gritar, respondi da minha janela: ESTÁ ALIIIIIIIIIIIIIIIIII! E ela perguntou: ADONNNNNNNNNNDE? E eu disse: ATRÁSSSSS do PRÉEEEEEDIIIOOOOOOO! E ela respondeu: CAAAAABRÃAAAOOOOO DO PUUUTOOOOO, MAS SERÁAAAAA QUE NÃO ME OUUUUUUVEEEEE? E eu disse: SE CALHAR ENSURDECEUUUUUUUU. E ela perguntou: O QUE É QUE ISSO QUER DIZEEEEEEEEERRRR? E eu expliquei: FICOUUU MOUUUUCOOOOOOOO! E ela indignou-se: ‘TÁ A GOZAR COMIIIIIIIGOOOOOO?

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