quinta-feira, 6 de setembro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #64





Quem gosta de canções não pode passar ao lado das chamadas drinking songs irlandesas. É dito, sabido e facilmente comprovável que o povo irlandês tem uma especial inclinação para a copofonia. Daí a proliferação de poetas a um nível de excelência incomparável. Nascesse um homem nómada, e não precisaria do álcool para nada. Mas neste mudo sedentário onde por azar fomos paridos, só uma hipótese resta a quem não se confirme com a monotonia das viagens entre os não sei quantos metros quadrados do lar e os não sei quantos metros quadrados do local de trabalho: parar a meio da viagem e embarcar na nave alcoólica. Whiskey in The Jar é uma colectânea competente para turista ouvir. Só dos The Dubliners colhe cinco temas fundamentais: The Wild Rover, Seven Drunken Nights, Black Velvet Band, The Holy Ground e Molly Malone. São temas para decorar e cantar em coro com um copo de guiness na mão. Um outro exemplo de excelência deste tipo de canção é o popularíssimo tema Dirty Old Town, aqui interpretado por Luke Kelly (o turista português conhecerá melhor a versão dos The Pogues, embora Kelly, fundador dos The Dubliners, seja um dos nomes incontornáveis da folk irlandesa). Fique registado que os irlandeses fazem maravilhas com um banjo nas mãos, uma concertina (ou algo parecido) ao peito, um violino ao ombro, uma flauta nos beiços. Melodias simples, geralmente alegres, embora tingidas pelas pequenas e grandes revoltas da vida quotidiana. Letras que contam histórias e partilham anseios (a independência, a liberdade). Neste aspecto, somos todos muito insulares – rodeados que vivemos de agitação, desassossego e inquietude. Resolvê-lo com o fado não é remédio que se aconselhe.

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