quarta-feira, 19 de setembro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #67





Em meados da década de 1990, Baby Bird, alter-ego de Stephen Jones, foi capa de revista por causa de centenas de canções despejadas, a um ritmo avassalador, para um rudimentar gravador de quatro pistas. É verdade que quando a prolixidade aterrou num estúdio de múltiplas vias, a veia secou e deixou de entusiasmar. Mas até lá, pelo menos uma colecção de canções ficou entre o que de melhor se registou naqueles tempos: Fatherhood (1995). Trago-o à liça por me agradar sobremaneira a capa, reveladora de um espírito iconoclasta que perpassa nas canções gravadas. De resto, as capas de Baby Bird foram sempre do melhor que se viu na pop britânica do final do século XX. Escondem melodias simples e epidémicas, embora por vezes desçam aos subúrbios de uma pop menos acolhedora. Ouça-se, a título de exemplo, Cool & Crazy Things To Do, Bad Blood ou, já agora, o tema Copper Feel, do CD The Happiest Man Alive. O facto de terem sido rejeitados em várias companhias discográficas, optando o autor, posteriormente, por uma difusão limitada e independente, garantiu-lhes culto. Isto não deve desviar-nos do essencial, o valor inegável, espontâneo e auto-suficiente das composições. Socorrendo-se de uma caixa de ritmos e de uma guitarra, por vezes distorcida, outras vezes límpida, aumentando ou diminuindo o volume de efeitos baratos, respigando samplers que semeia pelas canções como uma espécie de fertilizante caseiro, Jones logrou uma dicção melódica que estava determinada em acrescentar qualquer coisa à tradição pop britânica. Talvez um pouco dessa melancolia que faz rebentar margaridas de ironia na sombra de um homem só. Tudo o que perece quando em torno da solidão começam a crescer daninhas e perniciosas companhias.

2 comentários:

manuel a. domingos disse...

fiquei a conhecer este disco em tua casa. deste Senhor só conhecia aquela música meloso do "porque tu és liiiiiiinda!". isto é, sem dúvida alguma, muito bom.

hmbf disse...

podes crer