Fernando Maria Costa Duarte Ulrich, que provém de uma família ligada à banca e às finanças, com raízes em Hamburgo na Alemanha do século XVIII, afirmou recentemente que o país aguenta mais austeridade. Não sei
de que país Ulrich, que Estudou no Instituto Superior de Economia da Universidade
Técnica de Lisboa sem terminar a licenciatura, está a falar. Não sei se é da
Alemanha do século XVIII, da Angola do século XIX ou deste Portugal exangue com
pedintes por todo o lado e comércio devoluto. Duvido que Ulrich ande pelas ruas
a pé. Certamente terá um chauffeur à boa maneira das famílias com
raízes em Hamburgo na Alemanha do século XVIII. Também não sobreviverá com o
chamado “ordenado mínimo nacional”, mas seria interessante colocá-lo (e a
outros como ele) numa espécie de Big Brother para homens de fato cinzento e
gravata azul, a viverem durante, vá lá, seis meses com 500€ por mês. Fernando
Ulrich, que preside a um banco que encaixou 117,1 milhões de euros de lucros
nos primeiros nove meses de 2012, só lamenta as imposições do Ministério das Finanças relativamente aos custos com consultores, não sendo necessariamente por isso que reduziu agências e eliminou
postos de trabalho. Este herdeiro de uma família com raízes em Hamburgo na Alemanha
do século XVIII, ex-chefe de gabinete de um ex-ministro da extinta AD, que
ainda há não muitos dias afirmava que a capacidade dos portugueses para aguentar sacrifícios é agora menor, vem entretanto acrescentar às afirmações anteriores
que, afinal, apesar de essa capacidade ser menor os portugueses ainda aguentam
mais sacrifícios. Eu tenho a certeza de que o filme preferido de Ulrich é A
Paixão de Cristo, do Mel Gibson, e que não há cena que mais o excite do que
aquela em que Cristo está a ser torturado pelos romanos aguentando, aguentando,
aguentando, aguentando todo o tipo de castigos e violência. Ora, julgo que este
sadismo do banqueiro com raízes em Hamburgo na Alemanha do século XVIII
merece uma resposta à altura. Note-se como fala da Grécia:
Se estão vivos, é porque aguentam. Um pouco à semelhança
dos sobreviventes do Holocausto nazi, que aguentaram. Ou o bilhão de pobres no
mundo, que aguenta. Ou toda a humanidade que atravessou a Idade Média e
aguentou. Ou o que resta de índios nas américas, que aguentaram. Na cabeça de
Ulrich, umas montras partidas e um bocadinho de mais veemência nos protestos são
até compreensíveis neste cenário de irmos aguentando. Por mim, sei bem por que
montras poderíamos começar não andássemos todos distraídos dos Ulrich deste
mundo. Aqui deixo, ao cuidado de Fernando Maria Costa Duarte Ulrich, em jeito
simbólico, um nome que não aguentou. Por detrás do nome havia um homem.
Chamava-se Dimitri Christoulas, era grego, não aguentou. Como ele há mais,
muitos mais, não só gregos, não só portugueses, que não aguentam. Mas esses não
entram nas % de Fernando Maria Costa Duarte Ulrich, porque Fernando
Maria Costa Duarte Ulrich, afinal, provém de uma família ligada à banca e às
finanças, com raízes em Hamburgo na Alemanha do século XVIII.




