quinta-feira, 11 de outubro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #68


Jason Swinscoe é o homem por detrás da câmara, mestre da manipulação e do ilusionismo sonoros. É verdade que The Cinematic Orchestra não se restringe a um homem só, mas a este estudante de artes devemos a iniciativa de toda uma nova banda sonora para velhas imagens. Motion (1999), o primeiro álbum, não permitia grandes dispersões, ao atirar-nos para dentro de uma Night Of The Iguana com pista jazzística sobre a qual dançavam vários elementos electrónicos em atraente fusão. A música desta orquestra nada fica a dever ao jazz mais conservador, indo buscar ao saxofone soprano de Tom Chant ou à trompete de Jamie Coleman raízes que a espontaneidade e o instinto se encarregam de ligar. Mas há aqui um sentido estético, apoiado na arte da colagem, que desvia a The Cinematic Orchestra para terrenos da música electrónica. A ideia é improvisar sobre linhas melódicas e rítmicas repetitivas, temperando a orgia com samplers de vozes e linhas musicais breves facilmente identificáveis por quem aprecie a música de dança da primeira metade do século XX. Como é costume ouvir-se por aí, é música com groove, ou seja, embala-nos e contagia-nos na sua cadência e com as suas oscilações. Quem escutar, perceberá o que pretendo dizer ao passar do jogo melódico atractivo de Channel 1 Suite para o delírio rítmico de BlueBirds. Cenas diversas de um mesmo filme, onde por vezes o coração se apaixona para logo depois se enraivecer. Música para espíritos temperamentais, como nos melhores filmes.

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