quarta-feira, 24 de outubro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #70

Com uma vasta discografia iniciada na década de 1980, os alemães Einstürzende Neubauten talvez tivessem passado completamente despercebidos não fosse contarem na sua formação com Blixa Bargeld, durante largos anos componente determinante nos Bad Seeds de Nick Cave. Mas a música dos alemães nada deve às canções de Cave e só por completa distracção pode ser reduzida ao protagonismo de Bargeld, desde logo porque conta com a criatividade do percussionista N.U.Unruh – autor da maioria dos instrumentos que conferiram à banda uma identidade única. A sonoridade industrial dos Einstürzende Neubauten, com ritmos produzidos por maquinaria diversa, choques eléctricos, distorções várias, metais em compassada erosão, seria de todo diferente sem o génio de N.U.Unruh. As composições de Tabula Rasa (1993), talvez o álbum onde, pela primeira vez, se terão aproximado de uma estrutura inteligível (o que, para o caso, quer apenas dizer não radicalmente inacessível), vivem, pois, dessa componente performativa e experimental onde a violência encontra eco no ruído e a vanguarda assume a (des)configuração da ruína. É verdade que com o passar dos anos se processou nesta música aquilo a que podemos chamar uma inflexão sónica, de que Silence is Sexy (2000) se tornou o melhor exemplo. Ainda assim, esse breve momento de sossego não foi senão a reafirmação de um desassossego criativo que passou sempre por ir além do que as convenções permitem. As letras estilhaçadas, ao jeito de poemas modernistas com variantes e colagens tão surreais quão irónicas - Headcleaner cita Beatles onde, aparentemente, isso seria impossível – dão conta do universo descomplexado da banda. Tabula Rasa resume tudo na perfeição.

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